segunda-feira, janeiro 29, 2007

Vip MPB FM


por gisele andrade
ilustração de andré pessoa

- Peguei. Hein? Chegou? Tá, estou aqui na fila da MPB.
- Pegou? Ah. Lembra quando a gente foi no Pedro Mariano? MPB achincalhou com a gente... Lembra? A gente sentou lá no cuzinho do Teatro Rival. Aquele carpete...
- Menino, aquele carpete subindo pelas paredes... Estou com rinite até hoje.
- Pois é.
- Ih, é balcão nobre, tá?
- Até que enfim. MPB FM mostrando que nossa audiência serviu para aumentar o investimento lá.
- E, claro, com contrapartida social pra gente aqui!
- Bora comer?

*

- Cachorro-quente com refresco é R$3,50.
- Ah, não. Esse molho, essa poeira... Pô, a barraquinha está aqui no canteiro central recebendo poeira por todos os lados nessa bandeja de molho.
- Um gás carbônico, uma coisa horrorosa. Porque as pessoas não usam GNV, né?
- Acordou ecológico, você...
- É foda. Ô moço, quanto é esse x-tudo, hein?
- Cinco Reais.
- Hein? Como assim? E o senhor fala isso assim, no meio da minha cara, sem nenhum pudor? Isso é uma afronta.
- Ainda mais com esse BOBS bem aqui.
- Vamos pra lá, ainda tem ar condicionado.
- Ta bom. Obrigada, moço (el).
- Caraaaaaaleo, não tem nada aqui abaixo dos dois dígitos.
- Deixe-me ver quanto tenho aqui... Dez Reais. Pobre é foda. Vou tomar um milk-shake pequeno, que custa quatro e dez.
- Desaforo. Eu não tomo nada sem álcool que custe quatro e dez. Vamos pro Rio Sul comer no Habibs, porque lá o preço começa com zero.
- Não, vamos fumar um cigarro e ir pro show. Viemos de casa, não comemos porque não quisemos. Agora dana-se.
- Ah, não... show sempre atrasa. Esse aqui está cheio de velhotas, mas eu duvido que o Ney Matogrosso se preste a subir na hora certa.

*

- Vamos. Meus amigos estão aí.
- Ai, eles vão estar lá embaixo acotovelados e a gente lá de cima, tal e qual Evita Perón, acenando para os descamisados.
- É. Eles vão sambar na pista e a gente vai de galeria!

*

- Ai, porra, que espremido.
- Não acredito, filho da puta.
- É a primeira música?
- É a terceira.

*

- Rodrigo, você viu que desaforo dessa gorda? A gente contando moedinhas lá na rua pra comer um podrão cheio de poeira, e essa filha da puta comendo camarão. Empesteou todo o meu cabelo.
- Eu detesto camarão, mas viu o tamanho do camarão? Ao alho e óleo, ao alho e óleo.
- Pois é. A conta da gorda deu R$89 reais. Desaforada.
- Por isso que é gorda.
- E a gente aqui, esperando esse 457 pra descer no ponto final, cara, que humilhação.
– Caralho, descer no ponto final é muita humilhação mesmo. Nunca tinha pensado nisso. Ponto final é o fim da linha, entendeu?
– É o fim da linha e, no nosso caso, o fim do mundo. Piedade, brother.
- A gorda a essa hora deve estar na Land Rover dela.
- Ou abraçou os joelhos e saiu rolando por aí.
- Mas hein, a passagem subiu dez centavos.
- Olha, minha esperança é que um dia a gente vai rir de tudo isso.
- É. Vai pedir whisky black label e deixar a garrafa na mesa.
- E vinho bordeaux e prosecco. E ovomaltine do Bobs.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Mais assuntos ainda não abordados

Semana passada discuti alguns assuntos que quase ninguém ainda havia discutido. Faltou abordar mais alguns temas. O quê? Você está mais preocupado com os indicados ao Oscar? Com a prisão da Bispa honesta? Com a situação no Líbano? Ora! Por favor! Aqui no blog discutimos temas realmente importantes, se quiser saber de temas classe média senso-comum aqui não é o lugar, ok?


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Pra começar, não sei se repararam, mas não é cada vez maior o número de pessoas de estilo “alternativo” usando roupas relacionadas à Alemanha? E muitas delas não possuem o menor aspecto de ascendência alemã. Daí vem a pergunta: por que a Alemanha? Tá certo, o país é lar de inúmeros artistas, escritores, cineastas, filósofos, e uma gama de pessoas que contribuíram bastante para o desenvolvimento cultural da sociedade. Assim como tantos outros países da Europa. Novamente a pergunta: por que a Alemanha?

Concordemos que existem 3 países europeus que os alternativos veneram: França, Alemanha e Grã Bretanha (sim, nesse caso entram Irlanda e Escócia). Pesquisei por comunidades relacionadas ao amor por esses países no Orkut e a Alemanha foi a grande campeã. A Grã Bretanha vem em segundo e a França conta com uma comunidade de ódio tão grande quanto à de amor pela vizinha germânica.

Os casacos e camisas com estampas da bandeira alemã são cada vez mais comuns no Rio de Janeiro. O que se vê são várias pessoas, versões de Daniel Brühl e Franka Potente, desfilando como se estivessem em Berlim ou Frankfurt. A terra da Wasteiner desperta cada vez mais o interesse desses jovens alternativos. O real motivo? A DDK? A Lola de Corra Lola Corra? O Kraftwerk? Indies leitores desse blog, Private Dancers, DJs dos inferninhos cariocas, alguém por favor! Respondam essa questão!

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Outra questão que não me sai da cabeça: velhinhos são padronizados? Digo, no estilo de vestir, nos tipos de programas e nos gostos musicais? Quando mais novos será que se divertiam jogando damas, dançando em bailes ouvindo aquelas músicas de salão? Porque isso me leva a uma questão ainda mais perturbadora: como ficaremos quando velhos? Ouviremos música eletrônica? E as roupas? Não pareceremos engraçados de jeans rasgados, camisas “modernosas” e cabelos idem? Ou será que seguiremos o padrão atual e a dança de salão, o carteado e as músicas de baile farão parte de nossa rotina? Alguém consegue imaginar um bando de pelancas sacudindo numa pista de luzes coloridas ao som de Beck e Fat Boy Slim?

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Tanta coisa boa na TV. Só depende da ocasião. Agora, voltar pra casa de madrugada já alterado e ligar o aparelho em busca de algo bom, pode ser perigoso. Na última sexta liguei na Rede TV! Na esperança de ver o programa do Amaury Junior deparei-me com o Insomnia. O que é aquela bizarrice? Traz um cara parecido com o Faustinho e duas apresentadoras gostosas (uma delas é a Jackeline Petkovic). A atração é um game show ao vivo (sim, de madrugada e ao vivo) onde te oferecem alguns milhares de reais para que você ligue e acerte algumas perguntas. Tamanha era minha curiosidade que não consegui mudar o canal. Eis que um apresentador desafia o telespectador a adivinhar quantas palavras possuem num quadro embaralhado. Eu sabia! Mas não quis ligar. O telefone de lá devia estar ocupado, várias pessoas ligando, sei lá. Eis que o cara fica ali, parado na tela, ao vivo e de madrugada. Ninguém estava ligando. Ninguém dava a mínima para aqueles apresentadores da madrugada. Exceto eu. Mas ainda assim não quis ligar, tive medo de não acertar e gastar além da conta em telefone (para jogar tinha que ligar para um celular de Curitiba). De repente aparece a outra apresentadora gostosa que não é a Jackeline Petkovic e começa a dançar! Dançar em frente a câmera! Sim! Um espetáculo! E o DJ do programa começou a tocar algo como Out of Control do She Wants Revenge (pelo menos foi o que tocou na minha cabeça) e a apresentadora começou a dançar pra mim! Sim! Porque àquela hora da madrugada ninguém assistia aquele programa, exceto eu! Então ela só podia estar dançando pra mim! Algo como: “liga Dani, tô dançando pra você ligar! Liga pra mim! Se ligar ganha uma noite comigo!” Aí eu liguei. Ocupado. Liguei por oito vezes seguidas até desistir. Não era o único que assistia ao programa. Desliguei a TV e fui dormir desapontado. E essa pergunta não me sai da cabeça até hoje: quem ganhou a noite com a apresentadora?

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Atendendo a inúmeros pedidos (tá legal, foi só um) volto a postar meus contos semana que vem. Mas caso queiram, podem conferi-los desde já no Supermassivo (
www.supermassivo.blogspot.com). Tem até leitor (fake?) dizendo que conseguiu ler o último sem ter ânsia de vômito. Testem seus humores e líquidos viscerais! Confiram!

Daniel Pfaender

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Por assuntos nunca dantes discutidos

Pois então,e semana passada, a Cicarelli né? Vocês viram? Hahahhahaha... não, não, não reparem, eu estou brincando, se quiserem ler sobre a menina procurem nos outros 3500 sites que falam do assunto.

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Por que as pessoas compram água em academia? Pensem comigo, fellas, não falo de água mineral gasosa, nem de Perrier e Pellegrino, falo dessas águas de copinho mesmo. Qual o problema com o bebedouro? Desconfiança? A academia onde malham não é limpa? Numa academia não é mais coerente comprar Gatorade, Mate, Guaraná ou qualquer coisa que o valha? É pra tirar onda de saudável? “Ei, junkie, olhe pra mim! Não consumo corantes, açúcares nem gases de qualquer espécie! Só água!” Usem o bebedouro! Água é um recurso natural de todos! Aproveitem com sabedoria.
E aquelas águas aromatizadas? Sim, aquelas de tangerina, melão e pêssego (essas frutas mesmo?) que agora são a nova febre do verão? Não parece que alguém acabou de beber um suco ou refrigerante e mal lavou o copo? Não fica aquele gosto de resto de alguma bebida com água? Alguém consegue beber aquilo? E pagar pra beber aquilo? Pode? Eu repito, qual o problema do bebedouro?!
Quando passamos nosso primeiro reveillon na Praia do Sono meus amigos e eu bebemos água de poço. Um mais fresquinho optou por comprar dessas águas de copinho. Falou que não beberia daquela água de forma alguma. Na volta um foi acometido de infecção intestinal. Adivinhem quem foi? A vingança de Montezuma foi parar justo em Paraty, em cima de quem desrespeitou as sagradas entranhas da costa verde em favorecimento das águas industrializadas.

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Por que quando você quer passar por um corredor, escadaria, porta de restaurante sempre tem uma pessoa mais lerda do que você, ou que se recusa a andar e continuar com o fluxo de passagem? E por que toda vez que essa pessoa se toca disso, em vez de sair logo do caminho essa pessoa resolve dizer:” puxa, vida! Estou atrapalhando a passagem!” sorrindo? Concluindo o óbvio e mantendo o caos no fluxo e trânsito natural das pessoas...

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E os fotologs? Ninguém ainda concluiu que são books gratuitos na Internet? Tirando os “artistas” que postam imagens mais conceituais sonhando ser Sebastião Salgado ou David LaChapelle, a maioria dos flogs existentes mostram imagens do tipo: “eu e fulana na festa da beltrana” ou “geral boladão na night” e ainda aqueles na tentativa de parecerem menos fúteis postam imagens com seus amigos em movimentos-estátua fingindo uma bizarrice a la Abbey Road. Na verdade é uma chance de serem vistos por algum agente que os ache super interessantes, descolados, inteligentes e diferentes de todos os outros flogs que eles já visitaram.
Minhas duas primas possuem flogs com trilha sonora! Pois é, além do book o internauta pode conferir os últimos batidões da moda. Sinsitro, não?
Mas os melhores, sem dúvida os campeões são os flogs que postam imagens de uma cidade, ou de uma singela reunião de amigos e “tentam” fazer um belo texto de 10 linhas fingindo conteúdo. Quase sempre tentando fazer um link foto-texto e quase sempre falando dos sentimentos que aquela foto provoca ou que provocaram quando foi tirada. Só tentativa mesmo... mais jornalístico senso-comum impossível.

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Ouçam Pull Tiger Tail, som honestíssimo, o Kid Vinil em seu blog caracteriza o trio inglês como New Rave (que porra é essa?!). A banda soa como Maximo Park e Bloc Party (mas só o lado bom do Bloc Party). Muito boa.
Aí tem o myspace (
http://www.myspace.com/pulltigertail) e a página (cujo ilustrador deve competir com o Peter Doherty na farmácia para ver quem compra mais Phentermine) dos caras (http://www.pulltigertail.com/). Confiram!


Daniel Pfaender