Faça uma arte, jantar à la carte, e se afogue num uísque nacional
Uma Arte
Pintar, pintar,
sem trocadilho,
sem sexo,
só pintar.
Sem lâmbdas ambíguos,
ou entrâncias dúbias,
sem sexo e sem amor,
e se soubesse pintar,
sem segurar o pincel,
Ótimo!, pintar sem tocar!
um cerimonial da Igreja.
Não chamar o pornográfico,
de suavemente erótico,
ou um beco escuro,
de experiência transcendente.
Sem apelidar um membro duro
de um ímpeto onipotente
Apenas pintar,
sem parnasianismos,
sem modernismos,
sem mero pintar.
Fazer arte,
e perceber que,
arrogâncias a parte,
não sabemos o que é arte.
Um Jantar
tem reflexos de prata,
O mar,
reflexos mutantes
sob a chuva.
O mar,
sob o céu de verão confunde
suas ovelhas brancas
com os anjos tão puros
O mar, pastor do azul infinito.
Vejam
perto dos charcos,
esses grandes juncos molhados
Vejam
esses pássaros brancos
e essas casas enferrujadas.
O mar
embalou-os
ao longo dos golfos claros
e (ao longo) de uma canção de amor
O mar
embalou meu coração para a vida)(livre tradução minha)
Pintar, pintar,
sem trocadilho,
sem sexo,
só pintar.
Sem lâmbdas ambíguos,
ou entrâncias dúbias,
sem sexo e sem amor,
e se soubesse pintar,
sem segurar o pincel,
Ótimo!, pintar sem tocar!
um cerimonial da Igreja.
Não chamar o pornográfico,
de suavemente erótico,
ou um beco escuro,
de experiência transcendente.
Sem apelidar um membro duro
de um ímpeto onipotente
Apenas pintar,
sem parnasianismos,
sem modernismos,
sem mero pintar.
Fazer arte,
e perceber que,
arrogâncias a parte,
não sabemos o que é arte.
Um Jantar
Entrar em tomates surpresas,
para chegar a um boi morto,
sobre um pasto e mesmo antes do pasto,
morto e ainda quente.
Morto até ficar quente,
e uma sobremesa,
profiteroles ou pavês,
Abundâncias, farturas e ganâncias,
saciez, arrotos reprimidos,
cansaços e canções,
e comer, e comer, e comer,
Regurgitar o amor à própria vida,
que é se empaturrar,
Amar-se como nunca
beijando o boi morto,
apenas para dizer:
Jantamos e agora podemos até nos amar.
Se afogue
Todo corpo é um oceano,
não de prazeres, não de amores,
não de gozo, não de suores,
Todo corpo é um oceano,
de tensões, de tatos ocos,
de ressonâncias dissonantes,
de vibrações descompassadas,
de ruídos não-gemidos.
Todo corpo é um oceano,
mas nem todo sexo será um encontro de águas,
Talvez nem se torne pororóca,
dois mares podem se chocar,
mas em tão longíquos planos
que não cheguem a marolar.
Basta lembrar que Charles Trenet escreveu a canção sobre O Mar, não sobre um mar:
"La mer
Qu'on voit danser le long des golfes clairs
A des reflets d'argent
La mer
Des reflets changeants
Sous la pluie
La mer
Au ciel d'ete confond
Ses blancs moutons
Avec les anges si purs
La mer bergere d'azur
Infinie
Voyez
Pres des etangs
Ces grands roseaux mouilles
Voyez
Ces oiseaux blancs
Et ces maisons rouillees
La mer
Les a berces
Le long des golfes clairs
Et d'une chanson d'amour
La mer
A berce mon coeur pour la vie"
Qu'on voit danser le long des golfes clairs
A des reflets d'argent
La mer
Des reflets changeants
Sous la pluie
La mer
Au ciel d'ete confond
Ses blancs moutons
Avec les anges si purs
La mer bergere d'azur
Infinie
Voyez
Pres des etangs
Ces grands roseaux mouilles
Voyez
Ces oiseaux blancs
Et ces maisons rouillees
La mer
Les a berces
Le long des golfes clairs
Et d'une chanson d'amour
La mer
A berce mon coeur pour la vie"
(O mar
que se vê dançar ao longo dos golfos clarostem reflexos de prata,
O mar,
reflexos mutantes
sob a chuva.
O mar,
sob o céu de verão confunde
suas ovelhas brancas
com os anjos tão puros
O mar, pastor do azul infinito.
Vejam
perto dos charcos,
esses grandes juncos molhados
Vejam
esses pássaros brancos
e essas casas enferrujadas.
O mar
embalou-os
ao longo dos golfos claros
e (ao longo) de uma canção de amor
O mar
embalou meu coração para a vida)(livre tradução minha)
Um uísque nacional
(Paródia do poema "Déjeuner du Matin", de Jacques Prévert)
Pus um uísque vagabundo na xícara
Pus leite na xícara com uísque
Pus açúcar na beberragem
Com a colherzinha mexi
Bebi em um gole só
Pus a xícara na pia
Sem nada falar acendi um cigarro
Fiz círculos com a fumaça
Pus as cinzas no cinzeiro
Sem falar
Sem muito olhar
Levantei-me
Pus o chapéu na cabeça
Vesti a capa de chuva porque chovia
E sai debaixo de chuva
Sem uma palavra
Sem muito olhar
E quando sai, pude ver, pela primeira vez o sorriso dela.
E ela sorria, sorria de alívio.

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