Brasil: Eu, Sarney, o Segurança e o Gerente
“O Brasil é uma merda”. Por milhões de motivos. A gente ouve isso em qualquer esquina, pelo menos no Rio de Janeiro. Deve ser no resto do país também. O Sarney hoje é o foco das atenções. É a prova que a corrupção e a escrotidão ainda nos rege.
Eu assisti numa entrevista em 2008 o Zuenir Ventura falar uma coisa muito interessante. Dizia que quando lia os jornais, ele tinha a impressão de que o Brasil ia fechar. Tudo ia pro buraco. Mas ele – e eu também – tinha uma impressão diferente. De que certas coisas haviam melhorado muito no Brasil, que esse país podia melhorar ainda mais e estava – em muitos áreas - no caminho.
Eu compartilho desse ponto de vista. E quando vemos as atrocidades que o Sarney comete – porque pode cometer – e ficamos estarrecidos e indignados, normalmente nos esquecemos das atrocidades que são cometidas a nossa volta e que – essas sim – temos como intervir, e não fazemos nada.
Hoje, fui trabalhar. Estava de plantão na produtora em que trabalho e trabalhei de meia-noite as duas e quarenta da manhã. Tinha amigos numa boate chamada Bukowski - R. Álvaro Ramos, 270 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ. Tel: (21) 2244-7303 / http://www.barbukowski.com.br/ . Cheguei mais ou menos as três da manhã para encontrar 4 amigos. Na hora de pagar a conta aquela fila interminável. Nós cinco entramos na fila, porém o rapaz que estava de carro - ia levar a gente em casa - foi ao banheiro e quando voltou pediu pra eu pagar a conta dele. O segurança que organizava a fila não deixou. Ok, até aí lindo. Então fui explicar ao segurança que ele estava de carro e que a única moça que estava com a gente tinha acabado de ter uma filha – há quatro meses – e precisava ir embora. Achei justo que nessa situação ele tivesse alguma preferência. Ele disse que não podia, e que qualquer problema que eu procurasse a gerência. Eu achei falta de educação a maneira como ele disse isso. E agora vem a parte crucial dessa história, em diálogos:
- Você está mandando mal – eu disse.
E o segurança disse:
- Aí, vaza antes que você arrume um problema comigo!
Então. Por uma sorte, eram quatro horas da manhã e eu estava sóbrio. Eu estava um ambiente privado e fui ameaçado. Eu disse que ele estava me ameaçando e ele abriu os braços e me empurrou. Quem me conhece, não acredita que eu fiquei calmo nessa situação. Mas ando revendo o meu conceito de problemas sérios e achei que todo o problema era desse segurança. Ele que tinha um problema, ele que me agrediu e me ameaçou. Chamei a gerência. E me trataram como se eu fosse um menino, me tratando com ironia, nem o nome do sujeito quiseram me dar.
Pois bem. Isso é que é foda. Eu infelizmente não posso tomar nenhuma atitude contra o Sarney. Posso apenas gritar alto que isso devia mudar. Mas não é injusto que uma coisa dessas aconteça e fique impune?
Eu fui persuadido a não ficar no ambiente – por que o segurança estava exaltado e ia ficando cada vez mais nervoso - por um desses amigos que estavam comigo com a seguinte história. Ele me disse que não acreditava mais que as coisas poderiam mudar no Brasil, desde sua última discussão num caso desses.
Ele foi a uma Boate chamada Gente Fina Bar e Lounge - Rua Gen. San Martin, 359 - Leblon - RJ - telefones: 21- 2249-2619 / 21 – 3204-0444 - http://www.gentefinalounge.com.br/ . No fim da noite, quando foi pagar a conta, exigiu uma nota fiscal. Direito dele, não? A princípio, não. O gerente da casa passou a noite ironizando ele com frases do tipo “Eu estou aqui trabalhando, eu to recebendo pra estar aqui discutindo com você. Você está perdendo o seu tempo.”. Chegou a anotar numa folha de papel os valores e entregar pra ele como nota fiscal. Ele fez o que eu não fiz, pois estávamos, no meu caso, com uma moça que tinha uma recém nascida em casa. Foi a polícia. E o que aconteceu? Ele nunca recebeu uma nota fiscal.
Eu sinceramente acho que o Sarney e todos os outros fazem o que fazem e eles são apenas os espelhos do resto. Esse é o problema do Brasil. Se o problema desse país fosse o Sarney, a gente tava bem pra caramba. Mas não é. Está entranhado nas vísceras de nossa sociedade o descaso. Você pode reclamar, pode fazer o que quiser, mas nem o Gerente do Bukowski vai chamar a atenção de seu segurança, nem o meu amigo vai receber uma nota fiscal. O segurança e o gerente provavelmente não vão ser nem advertidos pra não fazerem mais isso. Não. Isso é injusto. Pra caramba. Todos eles e o Sarney estão no mesmo saco. E é por isso que quando o Zuenir Ventura tenta exaltar o Brasil, dizendo que muitas coisas melhoram, eu acho que eu enxergo um pesar na sua expressão. Porque ele também vive aqui, e deve passar por essas coisas e de vez em quando ter a sensação de que o Brasil se não vai fechar, pelo menos deveria fechar a metade.
Eu assisti numa entrevista em 2008 o Zuenir Ventura falar uma coisa muito interessante. Dizia que quando lia os jornais, ele tinha a impressão de que o Brasil ia fechar. Tudo ia pro buraco. Mas ele – e eu também – tinha uma impressão diferente. De que certas coisas haviam melhorado muito no Brasil, que esse país podia melhorar ainda mais e estava – em muitos áreas - no caminho.
Eu compartilho desse ponto de vista. E quando vemos as atrocidades que o Sarney comete – porque pode cometer – e ficamos estarrecidos e indignados, normalmente nos esquecemos das atrocidades que são cometidas a nossa volta e que – essas sim – temos como intervir, e não fazemos nada.
Hoje, fui trabalhar. Estava de plantão na produtora em que trabalho e trabalhei de meia-noite as duas e quarenta da manhã. Tinha amigos numa boate chamada Bukowski - R. Álvaro Ramos, 270 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ. Tel: (21) 2244-7303 / http://www.barbukowski.com.br/ . Cheguei mais ou menos as três da manhã para encontrar 4 amigos. Na hora de pagar a conta aquela fila interminável. Nós cinco entramos na fila, porém o rapaz que estava de carro - ia levar a gente em casa - foi ao banheiro e quando voltou pediu pra eu pagar a conta dele. O segurança que organizava a fila não deixou. Ok, até aí lindo. Então fui explicar ao segurança que ele estava de carro e que a única moça que estava com a gente tinha acabado de ter uma filha – há quatro meses – e precisava ir embora. Achei justo que nessa situação ele tivesse alguma preferência. Ele disse que não podia, e que qualquer problema que eu procurasse a gerência. Eu achei falta de educação a maneira como ele disse isso. E agora vem a parte crucial dessa história, em diálogos:
- Você está mandando mal – eu disse.
E o segurança disse:
- Aí, vaza antes que você arrume um problema comigo!
Então. Por uma sorte, eram quatro horas da manhã e eu estava sóbrio. Eu estava um ambiente privado e fui ameaçado. Eu disse que ele estava me ameaçando e ele abriu os braços e me empurrou. Quem me conhece, não acredita que eu fiquei calmo nessa situação. Mas ando revendo o meu conceito de problemas sérios e achei que todo o problema era desse segurança. Ele que tinha um problema, ele que me agrediu e me ameaçou. Chamei a gerência. E me trataram como se eu fosse um menino, me tratando com ironia, nem o nome do sujeito quiseram me dar.
Pois bem. Isso é que é foda. Eu infelizmente não posso tomar nenhuma atitude contra o Sarney. Posso apenas gritar alto que isso devia mudar. Mas não é injusto que uma coisa dessas aconteça e fique impune?
Eu fui persuadido a não ficar no ambiente – por que o segurança estava exaltado e ia ficando cada vez mais nervoso - por um desses amigos que estavam comigo com a seguinte história. Ele me disse que não acreditava mais que as coisas poderiam mudar no Brasil, desde sua última discussão num caso desses.
Ele foi a uma Boate chamada Gente Fina Bar e Lounge - Rua Gen. San Martin, 359 - Leblon - RJ - telefones: 21- 2249-2619 / 21 – 3204-0444 - http://www.gentefinalounge.com.br/ . No fim da noite, quando foi pagar a conta, exigiu uma nota fiscal. Direito dele, não? A princípio, não. O gerente da casa passou a noite ironizando ele com frases do tipo “Eu estou aqui trabalhando, eu to recebendo pra estar aqui discutindo com você. Você está perdendo o seu tempo.”. Chegou a anotar numa folha de papel os valores e entregar pra ele como nota fiscal. Ele fez o que eu não fiz, pois estávamos, no meu caso, com uma moça que tinha uma recém nascida em casa. Foi a polícia. E o que aconteceu? Ele nunca recebeu uma nota fiscal.
Eu sinceramente acho que o Sarney e todos os outros fazem o que fazem e eles são apenas os espelhos do resto. Esse é o problema do Brasil. Se o problema desse país fosse o Sarney, a gente tava bem pra caramba. Mas não é. Está entranhado nas vísceras de nossa sociedade o descaso. Você pode reclamar, pode fazer o que quiser, mas nem o Gerente do Bukowski vai chamar a atenção de seu segurança, nem o meu amigo vai receber uma nota fiscal. O segurança e o gerente provavelmente não vão ser nem advertidos pra não fazerem mais isso. Não. Isso é injusto. Pra caramba. Todos eles e o Sarney estão no mesmo saco. E é por isso que quando o Zuenir Ventura tenta exaltar o Brasil, dizendo que muitas coisas melhoram, eu acho que eu enxergo um pesar na sua expressão. Porque ele também vive aqui, e deve passar por essas coisas e de vez em quando ter a sensação de que o Brasil se não vai fechar, pelo menos deveria fechar a metade.

16 Comentários:
Sem concordar de forma nenhuma com a violência, o segurança estava certo. Ele não pode aceitar qualquer desculpa, mesmo que ela seja verdade(ela só era verdade para você, para o segurança, não podia passar de uma desculpa). E mais, como quem tem poder de decisão é o gerente, ele tem mais é que te indicar o gerente mesmo. "O problema brasil" está em outro lugar. Provavelmente, o segurança foi tão truculento porque muitos, muitos mesmo, devem "matar mães", descrever "doenças" e ter "filhos", só para fugir da fila. Por sinal, o segurança pode muito bem achar inverossímil alguém deixar um bebê de quatro meses de idade em casa, apesar de nós entendermos bem essa situação. Explica mas não justifica.
Sobre o Gente Fina, reclamar na internet não é solução nenhuma. Por sinal, já estão clichês as piadas sobre "reclamar na internet" ser o "inconformismo inútil" dos nossos tempos. Sugestão, e boa sugestão, www.receita.fazenda.gov.br. É uma idéia bem simples: é crime? denuncia. Se quiser gastar menos tempo e ainda sacanear de verdade, receitafone: nº 146 de qualquer telefone, de graça dos fixos.
Mas, pior, sinceramente, você realmente acha que não podemos fazer nada sobre o Sarney? É clichê justamente por ser verdade: O voto é o melhor instrumento para mudar essas coisas. Só para citar um país onde denúncias de corrupção são levadas a sério e onde os Sarney "perdem a cabeça" rapidamente, na Inglaterra, as pessoas tem o hábito, bastante saudável, de mandar e-mails os deputados que receberam seu voto na última eleição. No Brasil, jovens de classe média mal se lembram em quem votaram. Nesse contexto, não é nada bom um blog dizer que não podemos fazer nada. Todo poder emana do povo, mas um povo bunda elege seus representantes nas coxas. Procurem o que aconteceu com o número telefônico do Senado Federal no último ano. É óbvio que podemos fazer alguma coisa sobre o Sarney. Só que não é simples, não é fácil e com certeza não pelo twitter, sentados em nossas bundas preguiçosamente.
Por
Caio Almendra, Às
Domingo, Agosto 16, 2009
Pode ser pelo Facebook então?
Por
André Pessoa, Às
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
dá no mesmo... Só citei o twitter, especificamente, por conta da história do "chupa" e do ashton kutcher.
Por
Caio Almendra, Às
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
Este comentário foi removido pelo autor.
Por
Pedro Mourão, Às
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
Acho que o ponto de vista do Danilo pode até não ser o ideal, mas é coerente e justo. Grosseria é sempre revoltante e não deve ser relativizada.
A crítica ao texto me parece um pouco implicante.
Por
Pedro Mourão, Às
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
Detesto juízo de valor, mas uma mãe com um filho de 4 meses na night...
fica mesmo estranho de engolir, sabe?
Justamente talvez por isso que aos ouvidos do segurança tenha soado como desculpa esfarrapada. Lógico que de forma alguma o segurança devia ameaçá-lo ou tentar impor-se fisicamente, nem era necessária qq atitude dele nesse sentido.
Concordo com o primeiro comentário no que tange ao fato de não podermos fazer nada para reclamar. Acho que podemos sim, mas muitas vezes usamos os meios errados para isso e a "eficácia" da reclamação é nula. Tbm sei de várias pessoas que nem lembram em quem votaram, não procuram saber o email dos candidatos em que votaram -e muito menos dos que não votaram (todos são nossos "empregados" independente do voto ou não eles estão lá para o povo, na prática não é isso que ocorre mas é tbm papel nosso fiscalizar, representar contra, denunciar, protestar, exigir enfim...
abraços!
Por
Enio, Às
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
A crítica nunca foi sobre o segurança, no fundo. A real razão de criticar foi a questão Sarney. Agora, não venha me dizer que fiz apologia da atitude grosseira do segurança. Defendi o segurança até o ponto que ele indicou o gerente. Daí para frente, e isso fica bem claro pelo "sem concordar de forma nenhuma com a violência", achei a atitude do segurança abominável.
O toque que quis passar foi: fala com o gerente, ele tem poder de decisão, o segurança é marginalizado e etc. É muito pouco comum alguém inverter a situação e olhar o ponto de vista do segurança. Foi apenas isso que fiz.
Sobre coerência e justiça, faltou critérios para eu concordar ou discordar de você, Pedro. Seria coerente achar mais fácil mudar uma empresa no qual consumimos que uma instituição pública. Chamar de imutável ou dizer que não temos nada a fazer, é incoerente com a atitude geral de reclamar em um blog. Sem explicitar qual o "problema do segurança", não há como avaliar justiça (só como exemplo, se o texto se refere a um "problema mental", injusto, mera ofensa sem nenhuma razão justificada de afirmar tal coisa; se se refere a um "problema social", talvez se aproxime mais de justiça). Sem dizer se a frase "Eu sinceramente acho que o Sarney e todos os outros fazem o que fazem e eles são apenas os espelhos do resto" faz parte da ideologia "culpar o assassinado pelo homicídio" ou se é uma crítica genérica à inércia do brasileiro quanto a corrupção(aliás que já nem é verdadeira), não há como avaliar se o texto é justo com os brasileiros... Por sinal, justiça depende muito do critério adotado, se comutativo, se distributivo, se economicista, se teleológico, se ético-áureo, se ético-imperativo categórico e etc. Por fim, coerência e justiça não são estados absolutos e, obviamente, depende(e muito) de uma relação subjetiva com o conceito.
Sobre ser implicante, adoro ser. Adoro criticar texto dos meus amigos, quer para eles refletirem sobre minhas críticas, quer para eu refletir sobre as contra-críticas(que o Danilo está devendo...). Nesse caso, contudo, minha crítica principal foi podemos fazer algo sobre o Sarney. Não teve nada com o segurança.
Por
Caio Almendra, Às
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
Tenho poucas contra-críticas. Tenho mais uns adendos.
Primeiro, o amigo que citei foi a delegacia e entrou em contato com a Receita Federal. Ficarei na espera dos resultados.
Mas a crítica tem mais relação com o tempo que leva num caso desses de descaso total com cidadão. Pode até ser que dentro de um ano ele receba uma nota fiscal, mas convenhamos que se existia alguma necessidade de apresentação dessa nota, ela já não terá serventia.
Sobre não ser o blog o lugar correto pra reclamar, concordo. O melhor jeito teria sido levar o caso ao conhecimento de um orgão capacitado pra efetuar algum tipo de julgamento. Nesse caso seria a Polícia. Eu inclusive, quando comecei a falar com o gerente pedi pra ele próprio chamar a polícia, já que ele tinha me dito que não faria nada, achei justo que todos fossemos escutados e registrados num boletim de ocorrência. Porém, não cumpri com o meu dever de cidadão, pois existia uma outra situação que era importante, que era levar a minha amiga em casa.
Acho meio chato o questionamento de uma mãe, poder ou não sair de casa quando bem entender, pra onde ela quiser. Achei lindo encontrar ela na despedida de sua cunhada, e não entrarei nos méritos de defendê-la, dizendo que foi bom pq ela conseguiu deixar a filha com a sogra pela primeira vez. Pois essa opinião é de cada um. Acho que cada um tem os seus valores, e como diria o Caio quando começou a escrever no blog "todo mundo é super satisfeito com o seu bom senso".
Por mais que o Caio seja um pentelho, foi muito legal ele ter especificado quais seriam as medidas legais do caso. No fundo, eu sei que foi isso que ele quis fazer. Ser didático. O mau humor tá entranhado em sua pele.
Além do mais, concordo com a parte do voto. Realmente, talvez tenha sido infeliz em não falar sobre isso e nem explicar direito. É óbvio que nós temos o voto, que é a melhor maneira de cuidarmos bem do nosso país. Inclusive tenho até ressalvas com o caminho que a mídia em geral satiriza e desvalida a democracia como um todo, pois ela é a nossa grande arma contra certas impunidades recorrentes em nosso cotidiano histórico brasileiro.
Porém, não acho que um blog dizendo essas coisa tem que ser ruim. Algumas pessoas leram, debateram sobre o assunto e inclusive podem, se acontecer um evento parecido tomar a atitude correta. Inclusive a possibilidade de não frequentar os locais citado, se assim for da vontade do leitor. Acho que a discussão é do bem. Assim como o caio com mais bom humor falou: "quer para eles refletirem sobre minhas críticas, quer para eu refletir sobre as contra-críticas". No mais é isso. A próxima vez eu reclamo de um bar do Léo Feijó, que aí eu quero ver quem não me apoia!
abraços
Por
Danilo Lemos, Às
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
Antes que venha alguém e reclame mais ainda, "apesar de nós entendermos bem essa situação" quis dizer: eu entendo que mães tenham direito de se divertir. Não acho maternidade uma razão de clausura, acho normal ela sair. Só acho comum o segurança não entender assim, como fez o enio, e implicar. Paciência...
Por
Caio Almendra, Às
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
Eu falei de implicância pq acho que o tema se trata de uma coisa muito mais simples do que foi dito.
As pessoas vivem reclamando da corrupção, do mal funcionamento das coisas, mas não demonstram coisas básicas na vida privada como educação, diálogo e civilidade, como foi o caso dos funcionários do Bukowski e Gente Fina. Acho que esse era o ponto principal, foi assim que eu entendi.
Por
Pedro Mourão, Às
Terça-feira, Agosto 18, 2009
Este comentário foi removido pelo autor.
Por
Caio Almendra, Às
Quarta-feira, Agosto 19, 2009
Educação, diálogo e civilidade começam com a capacidade de entender os sentimentos e razões dos outros, que foi o início do meu comentário e o porquê você o chamou de "implicância". Ou seja, o ponto que você identificou como principal tem, a meu ver, óbvia origem naquilo que eu apontei e que você taxou de implicante.
O problema do diálogo, da boa-educação e da civilidade, é que todos querem impor aos outros, sem começar a impor a si mesmo. E deve-se impor a si mesmo do ponto mais óbvio e elementar: existem outras pessoas, elas tem razões e porquês. Sem entender que os outros tem interesses e que deve haver uma composição entre os meus e os dos outros, não há de se falar em civilidade. Sem pensar no segurança, não há de se falar em cidadania. Há, na verdade, um mau hábito de invocarmos esses valores maiores apenas na hora que vemos nossos interesses frustrados. Raramente, alguém dá boa noite ao segurança de uma boate, mas sempre se reclama da falta de educação deles, quando alguma coisa acontece. Tratamos os funcionários como servos quando nossos direitos são pacíficos e exigimos que nos tratem como iguais quando existe algum conflito. É comum, é normal, mas é infeliz. Nesse discurso vão(porque egoísta) da civilidade(conceito contra-egoísta) vive-se uma ciranda à brasileira, ora é o Luciano Huck e seu manifesto anti-violência, ora é a imprensa que distorce e nos quer não-alienados, ora a classe média que invoca um dever geral de civilidade sem cumprir com os próprios. A bem da verdade, a classe média brasileira é a primeira a reclamar de qualquer tentativa de moralidade real e profunda em nossa sociedade, exemplos não faltam.
Por
Caio Almendra, Às
Quarta-feira, Agosto 19, 2009
tudo bem, cara.. eu interpretei errado a sua crítica, agora entendi melhor.
foi mal
Por
Pedro Mourão, Às
Quarta-feira, Agosto 19, 2009
Lemos,
Gostei muito disso. Concordo com o cara aí, o segurança não pode abrir exceções. mas enfim, tb acho, Sarney é só um exemplo de brasileiro. Existe um verme em cada um de nós. Brasileiros. Brasileiros são foda.
abraço
Por
Paulo Bono, Às
Quinta-feira, Agosto 20, 2009
Também acredito em reclamação sim, pelos meios corretos é óbvio, na maior parte dos casos, infelizmente, não resulta em muita coisa. Mas se é direito nosso, não podemos deixar de fazer.
“Eu estou aqui trabalhando, eu to recebendo pra estar aqui discutindo com você. Você está perdendo o seu tempo.” Infelizmente isso também é verdade, claro que não impede ninguém de reclamar e buscar seus direitos, mas como você mesmo explicitou, ninguém vai reprimir o segurança, ninguém vai conceder uma nota fiscal.
abraço!
Por
Daniel Pfaender, Às
Quinta-feira, Agosto 20, 2009
Aproveitando o assunto, queria falar de outra coisa. Já viram o lindo "video" do callcenter da Microsoft em que uma senhora invoca seus direitos constitucionais de não ser apoquentada pelo sistema operacional da empresa só por que este se detecta ilegal? É lindo. Longo, mas lindo.
http://www.youtube.com/watch?v=n8G2SvSfsY0
Por
André Pessoa, Às
Sábado, Agosto 22, 2009
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