Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Faça uma arte, jantar à la carte, e se afogue num uísque nacional

Uma Arte

Pintar, pintar,
sem trocadilho,
sem sexo,
só pintar.
Sem lâmbdas ambíguos,
ou entrâncias dúbias,
sem sexo e sem amor,
e se soubesse pintar,
sem segurar o pincel,
Ótimo!, pintar sem tocar!
um cerimonial da Igreja.
Não chamar o pornográfico,
de suavemente erótico,
ou um beco escuro,
de experiência transcendente.
Sem apelidar um membro duro
de um ímpeto onipotente
Apenas pintar,
sem parnasianismos,
sem modernismos,
sem mero pintar.
Fazer arte,
e perceber que,
arrogâncias a parte,
não sabemos o que é arte.

Um Jantar

Entrar em tomates surpresas,
para chegar a um boi morto,
sobre um pasto e mesmo antes do pasto,
morto e ainda quente.
Morto até ficar quente,
e uma sobremesa,
profiteroles ou pavês,
Abundâncias, farturas e ganâncias,
saciez, arrotos reprimidos,
cansaços e canções,
e comer, e comer, e comer,
Regurgitar o amor à própria vida,
que é se empaturrar,
Amar-se como nunca
beijando o boi morto,
apenas para dizer:

Jantamos e agora podemos até nos amar.

Se afogue

Todo corpo é um oceano,
não de prazeres, não de amores,
não de gozo, não de suores,
Todo corpo é um oceano,
de tensões, de tatos ocos,
de ressonâncias dissonantes,
de vibrações descompassadas,
de ruídos não-gemidos.

Todo corpo é um oceano,
mas nem todo sexo será um encontro de águas,
Talvez nem se torne pororóca,
dois mares podem se chocar,
mas em tão longíquos planos
que não cheguem a marolar.

Basta lembrar que Charles Trenet escreveu a canção sobre O Mar, não sobre um mar:

"La mer
Qu'on voit danser le long des golfes clairs
A des reflets d'argent
La mer
Des reflets changeants
Sous la pluie

La mer
Au ciel d'ete confond
Ses blancs moutons
Avec les anges si purs
La mer bergere d'azur
Infinie

Voyez
Pres des etangs
Ces grands roseaux mouilles
Voyez
Ces oiseaux blancs
Et ces maisons rouillees

La mer
Les a berces
Le long des golfes clairs
Et d'une chanson d'amour
La mer
A berce mon coeur pour la vie"
(O mar
que se vê dançar ao longo dos golfos claros
tem reflexos de prata,
O mar,
reflexos mutantes
sob a chuva.

O mar,
sob o céu de verão confunde
suas ovelhas brancas
com os anjos tão puros
O mar, pastor do azul infinito.

Vejam
perto dos charcos,
esses grandes juncos molhados
Vejam
esses pássaros brancos
e essas casas enferrujadas.

O mar
embalou-os
ao longo dos golfos claros
e (ao longo) de uma canção de amor
O mar
embalou meu coração para a vida)(livre tradução minha)

Um uísque nacional

(Paródia do poema "Déjeuner du Matin", de Jacques Prévert)

Pus um uísque vagabundo na xícara
Pus leite na xícara com uísque
Pus açúcar na beberragem
Com a colherzinha mexi
Bebi em um gole só
Pus a xícara na pia
Sem nada falar acendi um cigarro
Fiz círculos com a fumaça
Pus as cinzas no cinzeiro
Sem falar
Sem muito olhar
Levantei-me
Pus o chapéu na cabeça
Vesti a capa de chuva porque chovia
E sai debaixo de chuva
Sem uma palavra
Sem muito olhar
E quando sai, pude ver, pela primeira vez o sorriso dela.
E ela sorria, sorria de alívio.

Sábado, Novembro 07, 2009

O Ex-Canudo e o Ser Moderno

-Olhe bem para isso e diga-me, o que é isso?

-Isso é um pedaço de plástico contorcido.

-Não, essa é a composição disso. Um canudo não é um pedaço de plástico enrolado, ele é composto por um pedaço de plástico enrolado. O que de fato é isso?

-Um objeto.

-Essa é uma classificação, num ser. Se eu lhe dizer que algo é um veículo, nada mais será que não uma classificação. Não saberás de que algo estou a falar.

-Isso é um não-canudo.

-Sem dúvida, mas o não-ser não pode ser medida do ser. Isso, da mesma forma que não é uma canudo, não é uma girafa, um apontador ou um deus nórdico. Ainda assim, não me dizeis o que é isso.

-Isso foi um canudo.

-Deveras verdadeira. Entretanto, dizer o que algo foi não implica saber o que algo é. Não podemos chamar o boi de grama, o homem de boi ou a merda de homem, podemos?

-Isso é uma pequena porção de lixo.

-Não, não é. Lixo é por definição aquilo que perdeu a utilidade e, portanto, o seu dono desfez-se da propriedade. Enquanto eu, que comprei o guaraná e o recebi gratuitamente, mantiver esse canudo comigo, ele servir para meditarmos, ele estiver em minha mão e minha posse, não podemos propriamente chamá-lo de lixo, podemos? Com a propriedade privada, o uso de todas as coisas depende da razão e vontade de seu dono.

-Então, ele é um objeto meditativo.

-Não há como definirmos qualquer coisa como objeto meditativo, o objeto de todas as meditações é o pensamento, não o canudo, Buda ou crise da pequna burguesia.

-Instrumento meditativo.

-O instrumento de toda meditação é a mente. O não-canudo não faz parte de nossa corrente meditação.

-Então, o que é isso?

-Isso não é o nada, contudo nada é. A medida da definição de toda e qualquer coisa, na época que vivemos, a Modernidade... A medida da definição de toda e qualquer coisa, o próprio Ser Moderno, é função do valor máximo da própria Modernidade, a Funcionalidade. Fora do universo da Funcionalidade, dentro da grande cadeia de coisas que não encontram utilidade alguma, fora do Conjunto Lógico da Funcionalidade, há o Conjunto Indefinido da Inutilidade. Nessa região, somos incapazes de conceber, de pensar. Esse é o limite de toda a racionalidade moderna, o inútil. Não de utilidade desconhecida mas o de utilidade reconhecidamente nula. Nessa região, toda o pensamento do homem moderno esvaie-se, como a luz não chega ao interior de um poço profundo. Após essa fronteira, nada realmente é, como entendemos a palavra Ser. O Ser depende do sujeito e todos os sujeitos são modernos. Nada se concebe além do Ser Moderno. Nada é, fora do Ser Moderno.

-Então nada há, fora do Ser Moderno.

-Não. Esse ex-canudo existe. Ele apenas não é. Se não os vissemos, não o imaginaríamos. Não evita, contudo, que em um pragmatismo terrivelmente objetivo, ele exista. Nós tocamos ele. Observe, ele, para si, se abstrativamente adicionarmos uma subjetividade a esse ex-canudo, existe. Personifiquemos-o, talvez um pequeno rosto, com olhos, boca e um bigodinho.

-Mas todo esse pensamento, esse pensamento existe?

-De fato sim.

-Mas não há como personificarmos um pensamento, como personificamos o ex-canudo.

-Mas há como dar utilidade, funcionalidade a todo esse pensamento.

-Sobre o lixo não-lixo?

-Esse pensamento tem a função de revelar uma perversidade. Observe, personificamos esse ex-canudo, não para dar a ele objetividade a partir da subjetividade. Objetividade ele sempre teve, você mesmo o chamou de objeto. Personificamos-o para criar um paralelismo. Mesmo com persona, esse ex-canudo não tem função, logo não é. Mesmo sendo uma pessoa, você não se objetaria a destruí-lo. E é essa a perversidade. O Ser Moderno não consegue pensar em, portanto não concebe, portanto, mesmo sabendo da possibilidade de ser uma pessoa, não detem a destrução. Serve para absolutamente qualquer coisa. Serve para qualquer pessoa.

-Mas que pessoa será plenamente inútil?

-Economicamente, os mendigos; sentimentalmente, os indiferentes; emocionalmente, os esquecidos; culturalmente, os inatingíveis. Ao fim e ao cabo, todos são inúteis. Todos somos descartáveis, porque todos somos inconcebíveis, inimagináveis e imprestáveis.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Foucault, 1984 e a frase que abrirá todas as bucetas

(...)Marcelo colocou "Be my Yoko Ono", na jukebox. Naquele momento, muitas garrafas vazias já estavam sobre a mesa e a superfície da história de Letícia e Mateus havia sido esquecida. Marcelo tentava aprofundar e generalizar o tema.

-É curioso como, mesmo muito antes de ser possível constituir uma família, mesmo antes de qualquer das partes querer constituir uma família, nossos relacionamentos já devem se parecer com uma. É a ausência absoluta de toda e qualquer criatividade. É o ser humano, no seu momento mais íntimo e pessoal, sendo típico e impessoal. É Foucault, em sua forma verdadeira, um autor trágico, a tragédia da desumanização coletiva. É triste como mesmo uma mulher inteligente como a Letícia não foi capaz de discutir isso com você.

Mateus-Nesse ponto, não se trata de pouca discussão. A discussão é impossível, hoje. Vivemos num mimetismo tão grande, que discutir é impensado porque impensável. Já nem sabemos como comunicar sensações como essas, não temos como estruturar essas sensações em pensamentos. Usamos metáforas fajutas que difamam nossa própria sensação. Falamos em liberdade, em individualidade, mas nem chega perto disso. Como se descreve o oposto de família? Há palavra para isso hoje em dia? Na Roma Antiga, o conceito de família causava temor aos outros. Matar alguém com família era dar oportunidade de alguém vingar o morto, matando você. Ter família era uma proteção. Hoje, família é um fato tão definido, certo e inafastável, como a morte, de forma que o medo não é mais externo. É íntimo. Temos medo de ter família e não mais de não tê-la. Aliás, como se chama a ausência de família?

Marcelo-Você acha que existe alguma coisa que somos capazes de sentir mas não de achar alguma forma de descrever?

Mateus-Acho. É como Syme, o personagem de Orwell dizia: no futuro, todas as línguas serão compostas de apenas uma palavra. Isso evitaria que a pessoa sequer pensasse em desobedecer o governo. O totalitarismo estatal saiu de cena, mas temos exemplos disso na capilarização do capitalismo. Sem querer entediar vocês com juridiquês, a nossa literatura juscontratual começou nessa Roma Antiga, são mais de dois mil anos. Hoje, o contrato se resume a duas siglas de três letras. Dois mil anos de história viraram ASG, POA.

Nesse momento, Fábio que até então parecia um pouco entediado, descreve com um ar sério:

-Já fazem alguns anos que mantenho uma experiência sociológica(Mateus e Marcelo pareciam perplexos. Fábio jamais falara nada nesse tom antes). Primeiro, escrevo 50 frases numa folha de caderno, com o tempo, vou aperfeiçoando e mudando as frases. Depois, acesso um site de relacionamentos, um chat qualquer. Tenho um objetivo claro, conseguir nome, idade, telefone e foto de uma moça usando o mínimo de frases possíveis dentre as 50 frases do caderno. A cada ano, uso menos frases e encurto elas um pouco. Guardo a teoria que, no futuro, descobrirei a frase definitiva, a única e maior, e nunca mais falarei nada na minha vida inteira.

Marcelo-Que frase?

Fábio-Se ainda sou capaz de conversar com vocês, não sei qual a frase. Apenas sei a função dela. Assim que eu a falar, qualquer, absolutamente qualquer, mulher que ouvir, decidirá transar comigo. Será a frase que abrirá todas as bucetas.

Marcelo-No futuro, acabaremos com o moralismo, mercantilizaremos tudo. Será a era da honestidade. A palavra será "Dinheiro!".

Mateus- Em breve, a humanidade se libertará do consumismo, começará o reino do amor e do prazer na Terra. A frase será "Amor!"

Fábio-Rá! Amanhã, o Homem se livrará do moralismo e do consumismo. Será a época da honestidade e dos prazeres. A frase será "te chupo toda".

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

O Fim - Senso Incomum

Eu pensei bastante antes de fazer isso. Tentei imaginar possibilidades de continuar com o blog e escrever nele, mas no fundo acredito que não ande escrevendo, pois não "tenho" onde postar.

Aí parei pra pensar em qual era o sentido dele ainda existir. O sentido principal era que existiam muitas coisas legais postadas aqui. Esse Blog tem uma história, pelo menos pras 6 pessoas que passam por aqui de vez em quando.

Pedro Mourão, Daniel Pfaender e eu criamos esse blog faz muito tempo. Ele passou por muitas modificações e muitos contribuiram e alguns outros se filiaram. Caio Almendra, André Pessoa, Gisele. Mas hoje em dia ele é só alguma parca história.

Então, como único componente da primeira leva, me sinto no direito de encerrar o funcionamento do blog.

Hoje, eu fiquei dando uma olhada em como se apagava um blog da internet, pois foi uma das minhas idéias, e aconteceu um ato falho. Eu removi as minhas permissões de gerenciamento do blog. Acho que isso é o maior indicativo de como eu acho que isso tem que ser fechado.

Pediria ao André, que eu acho que é o único moderador, que tranferisse a moderação pra mim ou pro Daniel Pfaender. E pediria, que os que quiserem fazer posts de despedida e indicação de qual blog é o blog que escrevem agora, façam.

Se quiserem deixar suas postagens, também pode ser legal. Eu vou deixar as minhas.

Ao leitores, eu não tenho muito mais a dizer. Nunca tive, né?
Volto a postar quando eu tiver um novo endereço de blog.

Abraços,

Danilo Lemos.

Terça-feira, Setembro 08, 2009

Esse é o meu primeiro post por um celular. Acho bacana essas paradas de tecnologia e tal. Agora vai ser de fuder, como diria meu amigo bono. Difícil vai ser aprender como coloca letra maiúscula nesse celular de merda. Acreditam que ele já deu pau e eu tive que dar boot? Assim vamos.

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Os Buchas

Foda, foda, foda!
Alvaro tirando onda!

Assistam:







http://mundo.oi.com.br/osbuchas/

Domingo, Agosto 16, 2009

Brasil: Eu, Sarney, o Segurança e o Gerente

“O Brasil é uma merda”. Por milhões de motivos. A gente ouve isso em qualquer esquina, pelo menos no Rio de Janeiro. Deve ser no resto do país também. O Sarney hoje é o foco das atenções. É a prova que a corrupção e a escrotidão ainda nos rege.

Eu assisti numa entrevista em 2008 o Zuenir Ventura falar uma coisa muito interessante. Dizia que quando lia os jornais, ele tinha a impressão de que o Brasil ia fechar. Tudo ia pro buraco. Mas ele – e eu também – tinha uma impressão diferente. De que certas coisas haviam melhorado muito no Brasil, que esse país podia melhorar ainda mais e estava – em muitos áreas - no caminho.

Eu compartilho desse ponto de vista. E quando vemos as atrocidades que o Sarney comete – porque pode cometer – e ficamos estarrecidos e indignados, normalmente nos esquecemos das atrocidades que são cometidas a nossa volta e que – essas sim – temos como intervir, e não fazemos nada.

Hoje, fui trabalhar. Estava de plantão na produtora em que trabalho e trabalhei de meia-noite as duas e quarenta da manhã. Tinha amigos numa boate chamada Bukowski - R. Álvaro Ramos, 270 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ. Tel: (21) 2244-7303 / http://www.barbukowski.com.br/ . Cheguei mais ou menos as três da manhã para encontrar 4 amigos. Na hora de pagar a conta aquela fila interminável. Nós cinco entramos na fila, porém o rapaz que estava de carro - ia levar a gente em casa - foi ao banheiro e quando voltou pediu pra eu pagar a conta dele. O segurança que organizava a fila não deixou. Ok, até aí lindo. Então fui explicar ao segurança que ele estava de carro e que a única moça que estava com a gente tinha acabado de ter uma filha – há quatro meses – e precisava ir embora. Achei justo que nessa situação ele tivesse alguma preferência. Ele disse que não podia, e que qualquer problema que eu procurasse a gerência. Eu achei falta de educação a maneira como ele disse isso. E agora vem a parte crucial dessa história, em diálogos:


- Você está mandando mal – eu disse.

E o segurança disse:

- Aí, vaza antes que você arrume um problema comigo!

Então. Por uma sorte, eram quatro horas da manhã e eu estava sóbrio. Eu estava um ambiente privado e fui ameaçado. Eu disse que ele estava me ameaçando e ele abriu os braços e me empurrou. Quem me conhece, não acredita que eu fiquei calmo nessa situação. Mas ando revendo o meu conceito de problemas sérios e achei que todo o problema era desse segurança. Ele que tinha um problema, ele que me agrediu e me ameaçou. Chamei a gerência. E me trataram como se eu fosse um menino, me tratando com ironia, nem o nome do sujeito quiseram me dar.

Pois bem. Isso é que é foda. Eu infelizmente não posso tomar nenhuma atitude contra o Sarney. Posso apenas gritar alto que isso devia mudar. Mas não é injusto que uma coisa dessas aconteça e fique impune?

Eu fui persuadido a não ficar no ambiente – por que o segurança estava exaltado e ia ficando cada vez mais nervoso - por um desses amigos que estavam comigo com a seguinte história. Ele me disse que não acreditava mais que as coisas poderiam mudar no Brasil, desde sua última discussão num caso desses.

Ele foi a uma Boate chamada Gente Fina Bar e Lounge - Rua Gen. San Martin, 359 - Leblon - RJ - telefones: 21- 2249-2619 / 21 – 3204-0444 - http://www.gentefinalounge.com.br/ . No fim da noite, quando foi pagar a conta, exigiu uma nota fiscal. Direito dele, não? A princípio, não. O gerente da casa passou a noite ironizando ele com frases do tipo “Eu estou aqui trabalhando, eu to recebendo pra estar aqui discutindo com você. Você está perdendo o seu tempo.”. Chegou a anotar numa folha de papel os valores e entregar pra ele como nota fiscal. Ele fez o que eu não fiz, pois estávamos, no meu caso, com uma moça que tinha uma recém nascida em casa. Foi a polícia. E o que aconteceu? Ele nunca recebeu uma nota fiscal.

Eu sinceramente acho que o Sarney e todos os outros fazem o que fazem e eles são apenas os espelhos do resto. Esse é o problema do Brasil. Se o problema desse país fosse o Sarney, a gente tava bem pra caramba. Mas não é. Está entranhado nas vísceras de nossa sociedade o descaso. Você pode reclamar, pode fazer o que quiser, mas nem o Gerente do Bukowski vai chamar a atenção de seu segurança, nem o meu amigo vai receber uma nota fiscal. O segurança e o gerente provavelmente não vão ser nem advertidos pra não fazerem mais isso. Não. Isso é injusto. Pra caramba. Todos eles e o Sarney estão no mesmo saco. E é por isso que quando o Zuenir Ventura tenta exaltar o Brasil, dizendo que muitas coisas melhoram, eu acho que eu enxergo um pesar na sua expressão. Porque ele também vive aqui, e deve passar por essas coisas e de vez em quando ter a sensação de que o Brasil se não vai fechar, pelo menos deveria fechar a metade.