sexta-feira, dezembro 08, 2006

O Poder do Útero

“O Batman é igual a todos os homens! Eles têm medo do poder do útero!” Já dizia uma furiosa Mulher Maravilha na sátira do programa Na Real da MTV exibido no desenho Frango Robô do Cartoon Network. Uma mulher de atitude claramente feminista vingadora já anunciava o que hoje alguns homens assumem: o medo do poder do útero.
Ao longo da história nossas mulheres foram tendo várias funções, mas sempre com o mesmo papel: reprodutoras, disseminadoras da espécie e mães. As funções: talento para agricultura, piano, bordado, cozinha, cuidar do lar, e não muito mais. Nesse mesmo tempo de “evolução” das mulheres, nós caçamos búfalos, pensamos sobre a democracia, o teatro e as esculturas, montamos catapultas, fomos brigar com os muçulmanos em Jerusalém, descobrimos a pólvora, construímos canhões, queimamos nossas “bruxas”, montamos caravelas e astrolábios, teve um que trouxe o sorvete e a pizza lá de longe, outro que pintou belos retratos, e mais um que jogou duas bolinhas da Torre de Pizza. Matamos índios a mil, catequizamos a torto e a direito por aí, escravizamos os africanos, tocamos um verdadeiro puteiro nas Américas. Aí fizemos revoluções, assinamos tratados, criamos estados-nacionais, descobrimos a cura de algumas doenças, guerreamos mais um pouco, e chegamos a mais ou menos o que está aí hoje. Alguns feitos sem dúvida alguma importantes, outros, verdadeiras atrocidades. Toda essa demonstração masculina de poder resultou em tamanha revolta por parte das mulheres que as mesmas resolveram agir: queimaram sutiãs, emanciparam-se, apareceu a pílula (e mais tarde o Implanon) saíram do lar cheio de fraldas sujas e crianças birrentas e foram ao trabalho. O tempo passou, tornaram-se gerentes, políticas, musicistas, atrizes, esportistas, ganharam prêmios, envolveram-se em escândalos, foram corruptas, viajaram para o espaço, fizeram mestrado, doutorado e pós-doutorado, lançaram livros, e hoje aí estão. Maioria em quase tudo. Numérica, em empregos e outros campos. Nós, homens heteros, ficamos abalados. Talvez pelo trauma resultante do que nossos antepassados fizeram as antepassadas delas. Trauma esse que faz com que muitas nos vejam como verdadeiros babuínos que só têm olfato sensível para vaginas, cervejas e gramados de campos de futebol. Verdadeiros chauvinistas que passam o dia inteiro com um engradado de Brahma ao lado e um balde de Ruffles apoiado na barriga assistindo a programação do FX. Porcos insensíveis que ao vê-las pulamos em seus ombros e começamos a cantar: “you and me baby, ain’t nothing but mammals so let's do it like they do on the Discovery Channel”. Não é bem assim... mas vejam só! Estou falando dos homens! Falemos do principal: o poder do útero.
Antes era a inveja do pênis, agora, o poder do útero. Essa concavidade tão simples e complexa ao mesmo tempo. Um espaço vazio em um momento, em outro tão cheio de vida. Abriga o nada para abrigar o tudo. Tem o diâmetro de um punho fechado, um símbolo de poder, agressividade e conseqüentemente caos, caos esse que é um dos geradores da vida. Um punho fechado que vai se abrindo como uma mão se abre para poder comportar a matéria. Até que essa mão não consegue mais conter tamanha complexidade e expulsa a matéria para o mundo. Nada mais difícil de explicar do que a vida. O que havia antes daquilo? Algumas cervejas a mais e umas sacanagens na festa de fim de ano? Provavelmente bem mais do que isso...
O sexo frágil já não é (talvez nunca tenha sido) mais tão frágil assim. Vocês têm filhos, suportam por nove meses um peso grande na barriga, sofrem com varizes e osteoporose, sangram todo o mês até o mês em que passam por alterações hormonais ainda mais intensas do que as alterações que vocês costumavam ter nas TPMs e ainda assim quem morre primeiro? Talvez a única vantagem que vocês tenham recebido da natureza resida no fato da gordura consumida ir para a bunda e não para as suas coronárias como é no caso de nós homens. Daltonismo não conta porque não morremos antes de vocês por causa do daltonismo. Salvo no trânsito ou na sinuca onde se aposta a vida. Agora o poder do útero não é uma vantagem, é algo natural das mulheres. Todas possuem: heterossexuais, lésbicas, virgens, beatas, devassas, todas com uma grande força latente entre os quadris (opa! Olha o trocadilho!).
Tamanho poder sempre foi de vocês, mulheres. Mas parece que só agora têm consciência disso. Agora é a hora em que a irmã do Shakespeare mata o próprio dramaturgo, e faz fama escrevendo Julieta e Romeu. Lady Macbeth se manda com a fortuna do marido e vai desfrutar a vida de rica em outro canto, Ofélia, cansada das frescurites de Hamlet, manda-o a merda e casa-se com Fortimbrás, enfim... uma vitória total das fêmeas. Aí é que tão grandioso poder pode ser danoso. Poder, nas mãos de pessoas certas, sejam homens ou mulheres, podem gerar coisas maravilhosas. Já nas mãos de pessoas erradas...
O poder do útero gerou Nefertari, Madre Teresa, Leila Pinheiro, Meryl Streep, Marguerite Duras, Pocahontas, Xica da Silva, Virginia Woolf, Marília Pêra, Nico, Anita Malfatti, Clarice Lispector, Dido, Ella Fitzgerald, Golda Meir, Camille Claudel, Janete Clair, Bjork, Sharon Stone, Patrícia Clarkson, Frida Kahlo, e mais uma penca de fêmeas da melhor qualidade que muito contribuíram com a sociedade.
Mas o poder do útero também gerou Condoleezza Rice, Courtney Love, Margaret Thatcher, Tati Quebra-Barraco, Ann Coulter, Rosinha Matheus (Clarissa está no mesmo caminho), Rita de Cássia, Daniella Cicarelli, Salomé, Zélia Cardoso de Melo, Elizabeth II, enfim, várias que só contribuíram e contribuem para o atraso na evolução do sexo feminino.
Mas poder é assim, mesmo. Não é fácil de manusear. Nós, homens, nunca aprendemos direito. Nos resta torcer para que vocês saibam usá-lo melhor do que nós. Tive dificuldades em listar mulheres que atrasam o mundo, ao mesmo tempo tive de restringir o número de mulheres notáveis citadas por uma mera questão de espaço. Poderia citar muito mais, o que me leva a crer que no futuro vocês confirmarão nossa torcida ao provar que a primeira lista (a das notáveis) só aumentou e a segunda diminuiu.


Daniel Pfaender

16 Comentários:

  • Ai, Fender...não adianta fazer média não, viu ?? quem te conheça que te compre, querido... pra mim e pra todas você sempre vai ser um machistão !!! não vale nada, por isso que a fefa não quis nada com você...seus homões homofóbicos e sexistas, só falam que "isadora" é piranha, falam que vão comer mulher no metrô, que a mãe vai ajudar a garota a dar pro filho gostosão...babacões...vão se ferrar...se ferrar !!!

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • daniel, vc foi desmascarado? eheheheh

    Por Blogger Ana Priscila Freire, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • achei um post importante, definitivo pra gente acabar com essas eternas discussões sexistas...a verdade é que estamos no mesmo barco, a gente escreve muito sobre mulher por motivos obvios...mas há de tudo aqui, pontos de vista de gays, mulheres dando o seu ponto de vista, fazendo criticas..
    Bem legal Daniel, gostei..nem 8 nem 80

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • achei um post importante, definitivo pra gente acabar com essas eternas discussões sexistas...a verdade é que estamos no mesmo barco, a gente escreve muito sobre mulher por motivos obvios...mas há de tudo aqui, pontos de vista de gays, mulheres dando o seu ponto de vista, fazendo criticas..
    Bem legal Daniel, gostei..nem 8 nem 80

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • a) já ficou provado que daltonismo tb existe em mulheres;

    b) Se elas tivessem consciencia disso tudo nós seriamos virgens;

    c) Faro para vaginas, cerveja e gramado de futebol e me chamar de babuino. Isso pra mim se chama sábado.

    Pfaender, eu sou seu fã.

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • Com toda certeza,Daniel! Essa mulheres nos crucificam por qualquer atitude masculina nossa! Gostar de futebol, cerveja e das próprias mulheres agora é pecado? Pra elas parece que sim... querem nos ver discutindo novelas,cozinhando, fazendo compras com elas, dança de salão...

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • Pelos poderes do ùtero!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • Marquinhos, só quem é homem entende, rapaz... então não adianta me acusar de homofóbico,de dissimulado... não sou machista nem feminista, só quis provar que de nada adianta tentar anular um poder errado com outro que pode, veja bem, escrevi PODE ser tão ruim quanto, óbvio que eu e todos torcemos para que não seja.

    Xd | Xd Mulher daltônica Homozigota recessiva (dd, daltônica) Viajei, galera,foi mal. Valeu pela correção Danilo! :)
    De qq modo concordemos que Daltonismo não mata NEM homens NEM mulheres, salvo no trânsito, sinuca e lojas de roupas femininas.

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • Thiago, eu faço Dança de Salão e já fiz um curso de gastronomia italiana no Senac. O curso de gastronomia fiz porque fiz poruqe gosto mesmo agora a dança... rsrsrsrs bem... em algum momento temos que ceder, cara... senão manteremos a eterna guerra entre homens e mulheres.

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • Eu não cedo nada. Eu vendo.

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 09, 2006  

  • eu não cedo nada,eu tarde,epa! eu tardo!

    Por Anonymous Anônimo, Às domingo, dezembro 10, 2006  

  • deve ser por isso que eu não pego ninguém. muito poder.

    Por Blogger gigi, Às segunda-feira, dezembro 11, 2006  

  • yeahh!!
    mulheres e homens
    amo os 2
    de forma diferente
    mas com mesma intensidade
    ;)

    Por Anonymous Anônimo, Às segunda-feira, dezembro 11, 2006  

  • gisele meu bem,
    o que será esse efeito devastador? eu acho que nós deveríamos nos casar, porque só a gente dá conta de tanto poder! :)

    Por Blogger Ana Priscila Freire, Às segunda-feira, dezembro 11, 2006  

  • pfaender, infelizmente
    o daltonismo nao ataca só nas lojas de roupas femininas ..

    antes fosse!

    Por Anonymous Anônimo, Às segunda-feira, dezembro 11, 2006  

  • ih! esse rendeu...
    povo, texto agradável numa discussão que nunca vai acabar.
    hj estive pensando q se todas as mulheres ficassem em casa cuidando da familia haveria emprego para todos os homens e certamente seus salarios seriam mais altos.
    Tbm acho q a gaiata q inventou essa palhaçada de feminismo era mto feia e mal comida, e preicsava de qq forma justificar p/ as amigas e a família o motivo de não conseguir excitar nenhum homem fingindo que achava legal trabalhar e queimar roupas intimas.
    enfim, tudo nosso, tamo junto.

    Por Anonymous Anônimo, Às sábado, dezembro 30, 2006  

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