Advento
E aí está: mais um blog. Quase que como numa necessidade de manter a verborragia dos nossos diálogos (monólogos?) da vida real, surge essa maravilha “virtual”. Prova real da nossa louca e narcisista vontade de se expressar, mostrar conhecimento e provocar em terceiros admiração ou indignação. Ou ainda ficar na indiferença da opinião dos outros, afinal não responder também já é uma resposta, não?
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E qual é a do Festival do Rio, heim? Conversei com duas ou três pessoas que me confessaram estar num ritmo frenético de cafés e cigarros para poder assistir seis filmes por dia. Seis filmes por dia! Em média seriam doze horas por dia de filmes. Fora os intervalos e o tempo de ida entre um cinema e outro (caso as sessões não sejam na mesma sala). Doze horas de cinema. ´Tudo bem Daniel, o Festival é assim mesmo vários filmes diferentes, nem todos vão estrear por aqui, muita coisa boa vai passar e não queremos perder nada.` Ótimo! Mas doze horas de filmes por dia? Quando mais novo tinha uns amigos nerds que ficavam doze horas por dia numa dessas lan houses jogando. Viravam a noite nisso. Doze horas de qualquer atividade ininterrupta (tá bom, meia hora não é intervalo pra nada em doze horas) devem ser uma tortura. Nunca fiz sexo tântrico, fora isso não me imagino fazendo nada por doze horas! Nem dormir. Aí fica a questão? Seis filmes por dia durante vários dias seguidos. Alguém consegue se lembrar de tudo que assistiu? Dá pra assimilar todas as informações? Será que tudo não passa do poder dizer “eu assisti n filmes no final de semana, eu vi o novo do diretor tal, a fotografia daquele era linda! Ou seria a do que eu vi na TV? De repente os cafés e cigarros não foram suficientes e eu cochilei... ah! Mas quem se importa? Tendo o ingresso pra provar já está de bom tamanho!”
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Lulinha não foi ao debate desta quinta feira na rede Globo porque sabia claramente (como todos nós ele também sabia, sim senhor) que não seria um debate, mas sim um embate. Foi o que foi, mas acho que Heloísa Helena, Cristóvam Buarque e Geraldo (hahaha o que é marketing político desse último?) saíram do Projac um tanto cabisbaixos pela ausência do atual presidente.
Lembro-me de setembro de 2002. No segundo período da faculdade o Eduardo Coutinho (não o documentarista) professor de Teoria da Comunicação II resolveu armar um “debate” entre quem ia votar no Lula e quem não ia. Pronto. Embate formado. Era óbvio que numa faculdade de comunicação federal, no ano de 2002, a grande maioria dos jovens (se é que existe grande maioria) ia votar no Lula. Quem não votasse seria escrachado, achacado, perseguido ou pelo menos indagado incessantemente sobre o por quê da escolha diferente do Lula (Ciro Gomes, Garotinho ou Serra). E assim o foi. Uma menina disse que ia votar no Serra e deu suas razões para isso. Sua xará levantou e prontamente começou a dizer que aquilo era um absurdo, que a outra só podia estar brincando. A eleitora do Serra novamente expôs suas razões e mais alguns motivos para receber somente provocações e ofensas da outra. Logo outros alunos (poucos, felizmente) entraram no cerco a eleitora do Serra. Eu e muitos outros (também eleitores do Lula) nos limitamos a rir. A idéia do professor era justamente essa. O embate seria entre eleitores do Lula e não eleitores do Lula. Sabia que algumas pessoas estariam dispostas a atacar quem pensasse diferente. O mais curioso era ver um professor de comunicação promovendo um embate quando o normal seria a promoção de um debate. Além do fato de um indivíduo que dá aulas de comunicação afirmar (quase com orgulho) não ter televisão em casa. Isso pelo menos em 2002, acredito que hoje ele deva ter comprado uma TeleFunken antiga numa loja qualquer quando ninguém estivesse vendo.
Independente do quão bom ou ruim tenha sido o governo Lula, do medo da Regina Duarte e seu posterior “tão vendo? Eu avisei!” das inúmeras trocas de acusação entre os políticos, o embate firma-se como grande programa pré eleições em qualquer rede de televisão. Afinal, uma troca de farpas entre políticos, ainda que menos produtiva, é muito mais divertida e dá muito mais audiência do que uma discussão de idéias e propostas fictícias batidas.
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Ingressos pro show do Daft Punk acabando. E eu ainda não comprei.
Daniel

3 Comentários:
Ai !!! Esse blog já é meu !!
Vou te infernizar...
Por
Anônimo, Às
sábado, setembro 30, 2006
Bem feito, quem mandou me copiar !!!
ninguem posta na sua coluninha...bobinho...
Por
Anônimo, Às
terça-feira, outubro 03, 2006
Esse questão dos cinéfilos fanáticos é importante mesmo...
Na próxima tem que falar dos professores de cinema fanáticos que mandam os alunos ver filmes no Festival, cobram presença deles em sessões coletivas e ainda cobram resenhas dos filmes !!!
Por
Anônimo, Às
terça-feira, outubro 03, 2006
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