Burguesinha e Radical
Primeiro, eu ouvi isso daqui:
Burguesinha
Composição: Seu Jorge / Gabriel Moura / Pretinho da Serrinha
"Vai no cabelereiro
No esteticista
Malha o dia inteiro
Pinta de artista
Saca dinheiro
Vai de motorista
Com seu carro esporte
Vai zoar na pista
Final de semana
Na casa de praia
Só gastando grana
Na maior gandaia
Vai pra balada
Dança bate estaca
Com a sua tribo
Até de madrugada
Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha
Só no filé
Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha
Tem o que quer
Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha
Um croassaint
Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha
Suquinho de maçã"
Depois, pensei sobre o porquê deles descreverem tão atentamente a vida de alguém. E percebi que para descreverem, precisavam conhecer muito bem. Precisam observar... Daí, lembrei disso daqui:
Radical
(Luís Fernando Veríssimo, in "Comédias da Vida Privada")
"Os dois ficavam encurvados sobre a mesa, olhando o mundo pela vidraça do bar. E fazendo comentários.
-Burguesada...
-Aproveitem, aproveitem. A mais-valia vai acabar.
Uma jovem senhora passava pela calçada em frente todos os dias à mesma hora. Bonita. Elegante. Entrava no seu Monza branco e saía, sem nem fazer sinal. Dona do mundo.
-Olha só.
-Hoje está debotinha. Veja você.
-Sabe quanto custou o casaco? O meu salário não paga uma manga.
-Essa tá marcada.
-Ah, tá.
-Quando chegar o dia, ela vai ver.
-Tribunal do povo.
-Não. Dessa eu mesmo me encarrego.
-Ah, é?
-Mando prender. A do Monza branco. Mecha no cabelo. Tragam pro meu escritório.
-E ela chega.
-Ah, chega. Nesse passinho dela. Muito petulante. Botinha e tudo. "Exijo meus direitos."
-Rá! Direitos...
-Agora a lei somos nós, madame. Tire esse casaco!
-Isso.
-Ela vai me olhar com medo. Vai dizer "por favor, não me machuque. Olha, eu era até meio PT". Vai chorar um pouquinho. O beicinho vai tremer.
-E você, firme.
-Sei não...
-O quê?!
-É que. Sei lá.
-Vai firme, cara.
-Aí eu pego ela e... e beijo.
-Beija?
-Beijo ela toda. Beijos os pés dela. Fujo com ela!
-Pô, cara - disse o outro, decepcionado. - Me admiro você.
Ficaram olhando enquanto a jovem senhora entrava no Monza branco e arrancava, sem nem olhar para o lado. Sem saber que ele existia, e o que fizera por ela."
Daí, pensei o óbvio. E joguei o óbvio no ventilador. Agora, ele está em todas as partes.
Burguesinha
Composição: Seu Jorge / Gabriel Moura / Pretinho da Serrinha
"Vai no cabelereiro
No esteticista
Malha o dia inteiro
Pinta de artista
Saca dinheiro
Vai de motorista
Com seu carro esporte
Vai zoar na pista
Final de semana
Na casa de praia
Só gastando grana
Na maior gandaia
Vai pra balada
Dança bate estaca
Com a sua tribo
Até de madrugada
Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha
Só no filé
Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha
Tem o que quer
Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha
Um croassaint
Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha
Suquinho de maçã"
Depois, pensei sobre o porquê deles descreverem tão atentamente a vida de alguém. E percebi que para descreverem, precisavam conhecer muito bem. Precisam observar... Daí, lembrei disso daqui:
Radical
(Luís Fernando Veríssimo, in "Comédias da Vida Privada")
"Os dois ficavam encurvados sobre a mesa, olhando o mundo pela vidraça do bar. E fazendo comentários.
-Burguesada...
-Aproveitem, aproveitem. A mais-valia vai acabar.
Uma jovem senhora passava pela calçada em frente todos os dias à mesma hora. Bonita. Elegante. Entrava no seu Monza branco e saía, sem nem fazer sinal. Dona do mundo.
-Olha só.
-Hoje está debotinha. Veja você.
-Sabe quanto custou o casaco? O meu salário não paga uma manga.
-Essa tá marcada.
-Ah, tá.
-Quando chegar o dia, ela vai ver.
-Tribunal do povo.
-Não. Dessa eu mesmo me encarrego.
-Ah, é?
-Mando prender. A do Monza branco. Mecha no cabelo. Tragam pro meu escritório.
-E ela chega.
-Ah, chega. Nesse passinho dela. Muito petulante. Botinha e tudo. "Exijo meus direitos."
-Rá! Direitos...
-Agora a lei somos nós, madame. Tire esse casaco!
-Isso.
-Ela vai me olhar com medo. Vai dizer "por favor, não me machuque. Olha, eu era até meio PT". Vai chorar um pouquinho. O beicinho vai tremer.
-E você, firme.
-Sei não...
-O quê?!
-É que. Sei lá.
-Vai firme, cara.
-Aí eu pego ela e... e beijo.
-Beija?
-Beijo ela toda. Beijos os pés dela. Fujo com ela!
-Pô, cara - disse o outro, decepcionado. - Me admiro você.
Ficaram olhando enquanto a jovem senhora entrava no Monza branco e arrancava, sem nem olhar para o lado. Sem saber que ele existia, e o que fizera por ela."
Daí, pensei o óbvio. E joguei o óbvio no ventilador. Agora, ele está em todas as partes.

13 Comentários:
O conto tem mais de 15 anos, época em que o PT era um partido de esquerda e Monza era um carro de luxo.
Por
Caio Almendra, Às
quinta-feira, junho 05, 2008
Hoje o PT é um partido de luxo e o Monza um carro de esquerda?
Por
André Pessoa, Às
sexta-feira, junho 06, 2008
Hoje, o monza não é mais carro, o PT é um partido branco, e o tal casaco deve estar é cafona...
Por
Caio Almendra, Às
sexta-feira, junho 06, 2008
Clichês, confusão e empáfia. Mais uma vez. Desisti de responder pela enésima vez a confusão imensa que você faz entre o que você pensa do mundo e o que acha que autores disseram a esse respeito, principalmente por que o Danilo sutilmente pediu. Isso nem de longe quer dizer que alguma das sandices escritas da última vez faça sentido. Faz o seguinte, você ainda cursa alguma coisa? tem professor de teoria política? sintetiza essa parolagem toda, entrega pra ele e pede uma avaliação. eu francamente não acho que caixa de comentário seja espaço pra desfilar explicações da profundida necessária pra ver se voce de uma vez por todas entende onde esta a falta de conexão.
É chato, é desagradável, não é o mundo que muita gente (eu inclusive) queria, mas o PT continua sendo um partido de esquerda; o centro do espectro político é que se deslocou de maneira esdrúxula pra direita. O realmente triste nisso é ver que o pouco espaço que sobra pra atuação de esquerda é defensivo e bastante descaracterizado. Mas como disse o Velho Barba, "só existe teoria revolucionária e movimento revolucionário quando já existe previamente uma classe revolucionária". Essa última está em falta.
Por
Cascarravias, Às
quarta-feira, junho 11, 2008
Impressionante é que eu não teci opinião nenhuma sobre o que os autores disseram sobre porra nenhuma. Aliás, não falei nada, não opinei em nada. O texto deixava apenas a possibilidade da carapuça servir ou não às pessoas. NÃO OPINEI EM NADA SOBRE O SIGNIFICADO DE NADA DITO POR NINGUÉM. Cara, você é grosseiro, chato e extremamente inconveniente. Não sei se existe quem te suporte nesse mundo. Pior, continua sem falar coisa com coisa.
Por
Caio Almendra, Às
quarta-feira, junho 11, 2008
prezado cascarravias, se voce continuar assim, nunca vai encontrar quem queira jogar futebol de botao contigo.
Por
applepie♥, Às
quarta-feira, junho 11, 2008
Se há qualquer coisa de "errado" nessa afirmação, vale a emenda: o PT não é mais um partido revolucionário, nem implicaria em nada com a mulher do monza branco. Ou ainda melhor, se tivesse uma revolução como pensado pelos dois "Radicais", ser "meio PT", não absolveria ninguém em nada.
Agora, algo de bordas tão pouco como se um partido tão grande é de esquerda ou de centro esquerda, não justificou em nada tamanha falta de tato, mal-educação, grosseria e estupídez. Ou seja, para variar, foi gratuito. E, sinceramente, acho que você só fica rodopiando em blogs para ver se irrita alguém a ponto de ouvir sua opinião. És impressionantemente carente e chato. Passar bem.
Por
Caio Almendra, Às
quarta-feira, junho 11, 2008
Discordo da Diah e do Caio. Eu também tenho como esporte nerd ser chato em comunidades do Orkut. E como elas são só blogs para pessoas que não tem amigos designers, acho justo o casquinhas ser aqui também. Não só acho justo como estava achando quase bonito, um estilo "blogger chato arte".
O triste é que ficou num estilo de chatisse só, uma coisa meio Jardel, saca? Acho que para ser legal ser chato, o famoso "quase-arte", tem que jogar nas onze.
E mais ainda ter "fair-play". Bico na canela não pega bem nem quando se é o Zidane, muito menos quando se é um "blogger chato" da terceira divisão dos blogs... Um blog pé no chão e cerveja com os amigos. Um blog quase "post de meia". Links de chinelo.
Vou lendo os comments, mas sempre na esperaça de ver uma resposta boa, daquelas de não deixar a piada no tocar no chão, de matar no peito, chamar pra si, e fazer até o adversário sorrir.
Por
André Pessoa, Às
quarta-feira, junho 11, 2008
SensoComum é um blog com os pés no chão. Sem dúvida alguma! um blog com os pés no chão. E as mãos também. :)
valeu, Ivan Lessa!
Por
Anônimo, Às
quarta-feira, junho 11, 2008
Adoro a posição do caranguejo...
Por
Caio Almendra, Às
quarta-feira, junho 11, 2008
Dai temos que pensar se mais vale a vida de quatro ou a de joelhos... Vc prefere que as coisas aconteçam sobre suas costas, ou emgolir tudo de frente? O que mais admiro nos blogs é que permite que filósofos tragam assuntos pertinentes sem sairem do anonimato.
Valeu, Antunes!
Por
André Pessoa, Às
quarta-feira, junho 11, 2008
Na boa, cascagrossa, chamar marx de "velho barba" é coisa de comunistinha de 15 anos que acha onda "ter uma opinião"...
Por
Anônimo, Às
quinta-feira, junho 12, 2008
Marx era foda, entendido?! Um dos maiores gênios do séc. XX
e pelo que se soube, nunca foi conhecido pela barba e sim pelo seu portentoso bigode!
Ah sim... quem nucna deu risadas com as piadas do velho Groucho...
valeu, Veríssimo! (o pai e não o filho tosco!)
Por
Anônimo, Às
quinta-feira, junho 12, 2008
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