quarta-feira, maio 28, 2008

Sobre Feras e Bestas

"Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você." F.W.N., "Além do Bem e do Mal"

Dentre as gírias mais curiosas do falar brasileiro, os termos "Fera" e "Besta" são os que mais me intrigam. Formamelmente sinônimos, sua utilização popular tem semânticas muito distintas. Fera é o homem inteligente, sagaz e extremamente competente em algum ofício ou atividade. O desprovido de inteligência, o curto, é chamado de besta. Na gíria, os termo sinônimos se tornam antônimos. Nesse novo mundo animal, feras e besta lutam entre si, pela supremacia da feracidade ou da bestialidade.

Os feras, em ordem de manter sua inteligência e sagacidade, mantém meios viáveis de comunicação, trocam experiências e ardis. Se unem com os demais, discutem opiniões, crescem e se enriquecem mutuamente. As bestas, por outro lado, não veêm necessidade alguma de comunicar-se com as demais. Abrir seus ouvidos ao outro é expor-se à mudança. Mudar é permitir a assumpção de fraqueza anterior. Ouvir vira fraquejar.

As bestas se asseguram que apenas ouvirão o que concordam, o que não as mudará. Para tal, antes de se permitirem ouvir, balbuciam em voz alta qualquer coisa, para que ouçam mais a própria voz do que o perigoso som externo. Às bestas é ato reflexo gritar ao ver um lábio se mexer, mesmo que o lábio seja de um mudo, enquanto as feras aprendem linguagem de sinais para entender os mudos. Se alguém disser uma única frase, as bestas interrompem com um ruído infernal todas as demais. As feras ouviriam, refletiriam, esperariam uma continuação, e mesmo que essa não viesse, pediriam uma continuação.

As bestas obviamente estão certas. Ouvir é fraquejar. Uma-a-uma, as feras ouvem atentamente às bestas e, de tanto rejeitar suas idéias estúpidas, monotemáticas e imaturas, passam a odiar ouvir às bestas. Com o tempo e, principalmente, com o tempo desperdiçado, as feras ouvem menos e menos, até se tornarem bestas também. O mundo é cada dia mais bestial.

15 Comentários:

  • A frase é clichê, mas achei bem aplicada, até pelo resto do conteúdo do Além do Bem e do Mal. Esse texto é uma ultra-síntese da minha perda de fé no convencimento.

    Fumar é errado.

    Por Blogger Caio Almendra, Às quarta-feira, maio 28, 2008  

  • Comentar é errado.

    Por Blogger André Pessoa, Às quarta-feira, maio 28, 2008  

  • às vezes alguém fica uma fera e dá um sentido diferente ao proposto, destruindo a metáfora. É que além de besta e da fera, existem também os asnos e os espíritos de porco.

    E o que dizer da besta-fera, uma mistura do mito da Mula-Sem-Cabeça e do Lobisomem que está presente no folclore brasileiro?

    Fumar é humano, demasiado humano.

    Por Blogger 4rthur, Às sexta-feira, maio 30, 2008  

  • Pra mim Nit tem bom uso pelo lado nazista e pelo lado niilista; em síntese: não tem bom uso.

    Fumar é bom pra caralho.

    Por Blogger Cascarravias, Às sexta-feira, maio 30, 2008  

  • Este comentário foi removido pelo autor.

    Por Blogger Caio Almendra, Às sexta-feira, maio 30, 2008  

  • A irmã de Nietzsche era nazista, de fato, e após a internação do filósofo andou falando besteira sobre a obra do irmão. O niilismo filosofia nietzscheana é tão distinto dos demais, que não tem como ser "usado" pelos demais niilistas. Entre outras coisas, Nietzsche se dizia o único niilista.
    Usado fora de contexto, qualquer coisa tem bom uso para o nazismo, papismo, vampirismo ou babaquismo. Por sinal, pense nessa frase: "Fumar é bom para caralho" de castor, que é mastubardo durante a fabricação de cigarros. Ótimo contexto, não?

    Por Blogger Caio Almendra, Às sexta-feira, maio 30, 2008  

  • Fumar pode ser bom, e até prazeroso, mas isso não faz menos errado. Mas em sintese, contra-agumentar não-argumentos é errado.

    Por Blogger André Pessoa, Às sábado, maio 31, 2008  

  • A tempo, (gostei da expressão), argumentar contra o senso-comum de que fumar é errado numa comunidade chamada senso-comum é ridiculo e uma total falta de senso de humor.

    Por Blogger André Pessoa, Às sábado, maio 31, 2008  

  • Artur, o fato da metáfira não ser aplicável a uma utilização da palavra fera não destrói nada. Não entendi seu comentário. André, brilhante como sempre.

    Por Blogger Caio Almendra, Às sábado, maio 31, 2008  

  • Olha, andré... Eu tinha parado de comentar, pois eu não estava achando relevante a discussão. Mas já que estamos no pós-chilique-e-entrando-numa-de-decretar-conceitos vamos lá.

    Este blog foi criado, por mim, Pedro Mourão e Daniel Pfaender. E o nome Senso-Comum foi justamente escolhido como uma ironia. Surgiu de comentários sobre a expressão "Todo mundo tem Bom Senso".

    Quando os meus prezados (e irritados) amigos deixaram esse blog, eu convidei outras pessoas (onde você foi incluido) como confrades nessa ironia.

    Porém, agora, chegamos a fase de dizer, uns aos outros, que certas coisas são erradas. Um claro e grave bom senso. E já que não é só mais por piada, mas por (algum) ideal (com a repetição me parece claro que é um ponto de vista) sinto-me na obrigação de discordar na melhor das minhas facetas.

    Errado é o CARALHO. Pra mim fumar é tão errado quanto dar o cú. Isto é, "zero" errado. A política do não-argumento não faz meu estilo. Eu apresentei os meus, e recebi críticas de como eu escrevo mal, de que o suicídio não pode ser um nicho econômico (?), de eu estava enganado sobre a máfia siciliana, que eu fedo, rolou até uma comparação entre cigarros e automotores.

    Nenhum argumento foi jogado na mesa. Argumentos, até, que eu aposto que vocês têm. Agora, pra cima de mauá, teorizar o contraponto (que é o que vc quis dizer com todos os prefixos de argumento) é algo que não vale nessa situação, não?

    Sobre a persistência em nominar de besta, feras, errôneos, babacas, fumantes, gays e o caralho-a-quatro... sinto muitíssimo mesmo por quem faz isso.

    Fico esperando um tempo onde a gente não precise de nada disso. Onde fique claro que pouca coisa é errada no mundo.

    "E, sobre tudo isso, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição."

    Por Blogger Danilo Lemos, Às sábado, maio 31, 2008  

  • Criticar o André é errado.

    Por Blogger André Pessoa, Às sábado, maio 31, 2008  

  • Criticar o André é MUITO errado.

    Por Blogger Caio Almendra, Às sábado, maio 31, 2008  

  • quando o autor publica sua obra, ele perde o controle sobre seus efeitos. marx n~ao tem culpa pelos trotskystas, maome nao tem culpa pelos fundamentalistas mas... alguma coisa nas ideias deles serviram de base pra essas coisas.

    o uso de nit pelos defensores do nazismo vai muito al'em das traquinagens da irma. mesmo que a seu modo, gente dessa laia teorizou bastante em cima do super homem e do complexo de escravo deixado pelo judaismo cristianismo.

    do mesmo jeito, o m'aximo de 'sofisticacao' a que pode aspirar o legado niilista 'e foucault... sofisticado? nao, ruim mesmo.

    nao me referia a qualquer citacao que pidesse estar fora de contexto quando me referi a nit como desnecess'ario. 'e pensando no conjunto da obra mesmo.

    Por Blogger Cascarravias, Às sábado, maio 31, 2008  

  • Não tenho porque defender a obra niilista. Mas, chamar de desnecessário é um juízo de valor que não tens o mínimo de envergadura mental para tecer. Na obra de Nietzsche encontra-se uma das mais bens construídas crítica e análise da trajetória humana. "Jogar tudo no lixo" é no mínimo de uma curteza ímpar. Por fim, se falavas do conjunto da obra, não deverias citar o uso pelo nazismo e o "uso" dos niilistas posteriores. Essas citações, atrapalharam o entendimento de sua crítica. Não que ela valha de muito após entendida.

    Por Blogger Caio Almendra, Às sábado, maio 31, 2008  

  • pretensioso, arrogante e pueril.

    vode nbao tem subsidio algum pra saber qual minha envergadura mental pra comentar qualuqer autor que seja.

    na obra de nit nao esta uma das maios bem construidas nada. idealismo alemao em alta escala que parte de uma concepcao de humano, de sociedade e de conhecimento que sao desnecessarios, ja que existe coisa melhor.

    o uso que 'e feito historicamente, concretamente, na pr'atica social 'e a principal medida de todas as coisas. achar que isso 'e irrelevante 'e uma postura classica do idealismo, esse mesmo que infecta nit de cabo a rabo e faz dele um autor excelente pra causar ebuli'cao em cabe'ca de adolescente, e nada mais.

    Por Blogger Cascarravias, Às domingo, junho 01, 2008  

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