A Revolta dos Idiotas
Ilustração "
adaptada por Caio Almendra.
Foi durante uma passeata. O sol estava de lascar a moleira, não se via uma nuvem no céu. Os manifestantes pediam qualidade na educação, merendas melhores e novas instalações para as escolas. Fora do bom senso, o evento fora marcado longe da prefeitura ou do palácio do estado, mas bem perto de um via pública muito movimentada. As mais belas faixas não traziam reinvidicações, mas apenas siglas e logotipos. Apesar das contradições, a multidão parecia unida e coesa em torno dos ideais educacionais.
A harmonia era tal que ninguém soltou um mísero ui, quando Mateus, um homem de 40 anos que nunca cogitou ser professor, arremessou uma pedra contra o sinal de trânsito. Em um átimo, todos o acompanharam como se apoderados de um imenso sentimento de vingança pelas injustiças do mundo. Como ter ideais é sempre bom, o número de reivindicações aumentou. Pediam justiça, comida, o fim do aquecimento global, saúde, o fim das guerras, da miséria e da fome. Queriam um mundo mais justo e fraterno e estavam dispostos a conquistá-los a unhadas. Os sinais de trânsito seriam os primeiros enforcados. A revolução tinha começado e nada poderia separar aquele grupo de 400 mártires vanguardistas.
Do alto de seu trono, Deus observava. Após 6000 anos, suas mais estimadas criações haviam conseguido. O paraíso na terra começara naquela passeata. Quem diria, logo os comunistas! Cheio de esperança pelos homens, Deus resolve encurtar o caminho. Sabia que a boa intenção daqueles homens era suficiente para mudar o mundo, não precisaria esperar o fim da revolta. Sua piedade não lhe permitiria esperar sentado pelos longos meses da revolução. Teria que apressar o processo.
O Todo-Poderoso desceu de seu trono, num espetáculo que não se via desde os tempos de Moisés. Era a imagem e voz mais belas que qualquer um já ouviu. Contudo, ninguém conseguia evitar o pavor que elas carregavam. Sua proposta foi clara. Aqueles 400 iluminados deveriam fazer um único pedido uníssono para Ele. Qualquer pedido seria válido e imediatamente atendido. Deus estava confiante, Ele não poderia errar justo agora.
Quando sua voz se calou, um burburinho cresceu nos cantos da passeata. No canto norte, os iluminados tendiam para o sentido da vida, no sul, à juventude eterna. Alguns falavam em super-poderes(Ué?, se todos nós fossemos igual ao super-homem, o que nós não poderíamos fazer pela revolução!), outros em ressuscitar grandes notáveis históricos.
Passado dois minutos, a dúvida virou discussão, a discussão virou berros e a histeria tomou o lugar da harmonia. Os 400 iluminados tinham mais ódio por si mesmos, do que tiveram pelos sinais de trânsito. Então, Mateus entendeu o que ocorrera: Deus os havia envenenado! O Todo-Poderoso nada mais era do que um grande reacionário disfarçado. Convicto, Mateus começou a espalhar suas palavras de saber. Não demorou muito até os iluminados perceberem. Por fim, um deles sugeriu e aos sussuros sua sugestão foi sendo espalhada. Deus ainda aguardava a resposta.
Em uníssono, ela veio:
"MORRA!"
Assim, Deus foi-se embora. E começou a chover.
Marcadores: Caio Almendra

4 Comentários:
bom bom bom bom!
pra caramba!
Parabéns!
Por
Danilo Lemos, Às
sexta-feira, junho 01, 2007
Não li.
Estou de mau pq ngm posta no meu... Meu ego se dissipou.
Beijos
(ngm entende mais A arte)
Por
André Pessoa, Às
sexta-feira, junho 01, 2007
Eu estou vivo.
Por
Anônimo, Às
sexta-feira, junho 01, 2007
porra... isso deve ter acontecido semana passada...pq não pára de chover por nada nessa caralha de cidade!
Por
Danilo Lemos, Às
sábado, junho 02, 2007
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