Saideira & Solidão
Devia ser meia-noite. Mas, Abelardo preferia contar
Já eram duas horas. Abelardo já não tinha muitas moedas no bolso. A contagem de doses, agora era regressiva. Abelardo já não dançava. Estava cansado. Pede um cigarro, que, antes de acender, deixa cair no chão enlameado. Desiste de fumar, se levanta e volta a dançar. Começa a discursar sobre os problemas do mundo. Culpa a televisão. O pouco de ritmo foi embora há duas doses atrás.
Seis horas. Só tinha dinheiro para meia dose, então bebia os restos de cerveja que sobravam nos copos dos outros. Contou o caso de um tiroteio numa favela mas ninguém ouviu. Alguém lhe ofereceu uma esmola. Ele preferiria um abraço. Voltou a dançar. De fora de sua bebedeira, pareceria que estava tendo um ataque epilético. Ninguém se importou.
Oito horas. Abelardo agora era Jorge. Portava-se com um cavaleiro inglês. Carregava um prato como escudo e um banco como espada. Recusou-se a sair do bar. Queria a última meia dose que tinha guardado. O garçom serviu e voltou a varrer o chão. Jorge tentou beber sem largar suas armas. Não abriu a boca para beber e derramou mais cachaça em seu queixo do que em sua garganta. Deitou-se na calçada molhada.
No meio-dia, o centro da cidade estava deserto. Abelardo acordou com o som de cascos batendo no asfalto. Alguém falava com ele. Uma bela moça num vestido longo, montando um unicórnio. Ela queria informações sobre como voltar ao mundo das fadas.
Ele não sabia. Mas queria companhia para conversar sobre sua mãe.
Marcadores: Caio Almendra

10 Comentários:
Ei! Eu conheço a moça do unicornio!!!!
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André Pessoa, Às
sábado, maio 05, 2007
E aí? O que ela achou do abelardo?
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Caio Almendra, Às
sábado, maio 05, 2007
ó, não adianta me chamar de abelardo... e eu já pedi pra não escreverem textos sobre mim... e outra... eu ainda tenho dentes na boca!!!!
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Anônimo, Às
sábado, maio 05, 2007
Foi muito mais uma homenagem ao "feliz do rosa de ouro", do que uma citação à você, danilo. Mas, se a carapuça serviu...
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Caio Almendra, Às
domingo, maio 06, 2007
Não vale Caio, vc sabia que bebados banguelas lembram o Danilo.
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André Pessoa, Às
segunda-feira, maio 07, 2007
bêbados banguelas não se lembram de nada, andré. Imagina do Danilo, que eles mal conhecem...
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Caio Almendra, Às
segunda-feira, maio 07, 2007
Num gostei... achei o texto bom, até começar com essa história de fantasia. Me pareceu muito jogado, sei lá, como se você num tivesse final para o texto e chutasse um final fantástico para deixar o texto "cool".
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Anônimo, Às
segunda-feira, maio 07, 2007
oooo... Anonimos??? temos alguem porr aqui...estranho.
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Danilo Lemos, Às
segunda-feira, maio 07, 2007
Não... Fui eu, mas fiquei com vergonha de postar algo sério no meu nome e macular a minha imagem.
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André Pessoa, Às
terça-feira, maio 08, 2007
Bem, eu preferiria responder a alguém com nome. Mas, fazer o quê?
Não procede a falta de final... O texto foi escrito de trás para frente, não que isso importe em coisa alguma. A relevância do trecho "fantástico" era passar a idéia de alguém rejeitado pelas próprias fantasias e ilusões. Uma solidão até de si mesmo... Contudo, confesso minha incompetência de fazer o sr. anônimo entender.
Por
Caio Almendra, Às
quarta-feira, maio 09, 2007
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