quinta-feira, fevereiro 01, 2007

O último canudo

Mas ela é mesmo muito linda! – pensa Pablo enquanto caminha ao lado de Celine. Ambos vão para o ponto de ônibus. O cursinho pré-vestibular não dá trégua alguma, ainda mais faltando dois meses para a tão temida prova.
- Pois é, né? Aula num sábado de manhã! Ninguém merece...
- Eu que o diga... Quase não agüento de sono.
A menina sorri inocentemente.
- Saiu ontem?
- Pruns chopes com os amigos lá no Caneco. Nada de mais.
- Por isso que está assim né? – riu.
- Assim como? Cansado?
- É...

Celine é uma linda jovem de 17 anos. Um ano mais nova que Pablo. Inteligente e estudiosa, tem uma facilidade incrível com números e cálculos. Por isso quer prestar vestibular para engenharia. Pablo por sua vez, já se divertiu bastante ao longo daquele ano em que completara 18. Agora quer sossegar na faculdade de comunicação. E ficar ao lado de Celine, é claro.

- Mas então Pablo. Hoje não tem ninguém lá em casa...
Pablo, que nesse momento acendia um cigarro de café da manhã voltou o olhar para a menina.
- Por isso não tenho o que comer – continuou –Ninguém cozinhou nada para mim... –disse fazendo um beicinho lindo que caía muito bem naquele rosto sulista.
- E então... – Pablo tentou tirar alguma conclusão daquilo sem muito êxito.
- Será que você não gostaria de almoçar comigo depois da aula? Nada de mais. Coisa rápida mesmo. A gente faz um lanche, só para que eu não fique sem o que comer? – perguntou sorridente.
- Mas é claro! – respondeu o jovem hiperativo. A empolgação da resposta havia sido tamanha que o cigarro quase caíra-lhe da boca.
Celine riu ao mesmo tempo achando graça nos modos de Pablo e contente com a resposta.
– Ah... quero dizer, lógico Celine, vai ser um prazer almoçar com você – dessa vez mais comedido e tentando parecer mais maduro.

O tempo dentro do ônibus nem era tão longo. Iam de Copacabana até Ipanema. Coisa rápida.
- Então... o que você gosta de ouvir? – perguntou Pablo.
- Ah... eu? Bem, gosto dumas bandas que quase ninguém conhece...
- É mesmo? Qual por exemplo?
- Len. Eu adoro essa banda, mas acho que você não conhece e...
- Tá brincando! – interrompe novamente da sua forma hiperativa – Eu adoro Len! Puxa vida... caraca! Você deve ser a única pessoa que eu conheço que gosta de Len...
- Você conhece mesmo? – pergunta desconfiada.
- Sim, sim... toca uma música deles naquele filme, “Vamos Nessa”.
- Isso! Isso! – surpreende-se a menina ao ver que Pablo realmente conhece sua banda favorita. – E eu também adorei esse filme! Não sabia de ninguém que tivesse visto...
Sorriem um para o outro ali no ônibus. Gosto musical e cinematográfico excelentes. Pablo encontrara a garota perfeita. E ela ainda queria almoçar com ele. Fast food, mas ainda assim era um almoço. E, porque Pablo julgava-se um grande entendedor das mulheres, tinha certeza de que Celine nutria o mesmo sentimento por ele. Por isso fechou os olhos e aproximou o seu rosto do dela. A menina estranhou.
- No Doubt também é bem legal, né? – disse interrompendo Pablo.
- Hã? – estranhou o rapaz.
- No Doubt também é outra banda que eu adoro.
- Ah! Sim, sim... mas não tão boa quanto Len...
- De forma alguma. Len é tudo...

Antes que pudessem terminar qualquer coisa o ônibus pára em frente ao cursinho. Os dois descem e entram em sala.

A aula transcorre sem problemas. Celine sentara-se com uma amiga e Pablo ficou observando-a, três carteiras para o lado e duas atrás. Para sua sorte a aula era de história, então não teve problemas em perder a matéria pois já dominava o conteúdo. Falta dominar Celine.
Durante o intervalo ocorreu o mais impensado. Haviam descido para que o rapaz pudesse fumar mais um cigarro. Passando por uma banca de jornal a menina ainda comenta ao ver uma revista Playboy exposta.
- Engraçado... acho-a parecida comigo...
- Sério? – responde tentando ver alguma semelhança – É... até que tem a ver...
E para sempre o rapaz carregaria uma paixão e tesão incontroláveis pela Helen Ganzarolli.
Param numa casa de sucos em frente à banca.
- Acho que vou pedir um cupuaçu.
- O que é isso?
- Ué? Não conhece? É uma fruta do norte. Dum azedo-doce excelente.
- Não... nunca ouvi falar na minha terra... lá no sul não tem disso não...
- Então você vai provar do meu, ok?
Celine sorri o seu sorriso lindo concordando e animada para conhecer o cupuaçu.
Após alguns minutos o garçom serve um copo cheio na bancada. Pablo pega um canudo e dá um gole. Oferece o copo para Celine.

E nesse momento a megera de rosto angelical pega outro, o último na verdade, canudo do porta canudos e prova. E para piorar ainda faz uma cara feia. Havia achado azedo demais. Pablo não acredita. Antes de voltarem do intervalo, ainda fuma neuroticamente mais três cigarros para se acalmar. O que havia acontecido? A menina tinha tudo em comum com ele! A mesma banda, o mesmo filme preferido, a mesma rua e até a academia onde malhavam era a mesma. Pra não falar do curso. Mas longe dela não ter gostado do suco preferido dele, o mais intrigante era o canudo! Por que pegar outro canudo? Seria nojo dele? Seria culpa dos cigarros? Seria intimidade demais? Essa última teoria foi a mais defendida por alguns amigos de Pablo, afirmavam que dividir canudo era comprometimento. Coisa de casal. Que ela não era obrigada a dividir o canudo com ele. Pablo não concordara, talvez porque quisesse um real comprometimento com aquele menina de rosto sulista e angelical e corpo da Helen Ganzarolli.

E durante aquela tarde de sábado, Pablo foi obrigado a esperá-la comer lentamente o seu hambúrguer e sundae, depois de ter devorado o seu lanche em cinco minutos.



Daniel Pfaender

13 Comentários:

  • Acho que também pegaria outro canudo. Tenho muito nojo de cuspe fora de contexto.

    Pfaender, eu amo você. Juro.
    Volta pra mim.

    Por Blogger gigi, Às quinta-feira, fevereiro 01, 2007  

  • hahaha
    eu tbm pegaria um canudo...
    hoho mais adoro cupuaçu dlç :)

    e eu amo No Doubt ho ho ho

    :*

    Por Anonymous Anônimo, Às quinta-feira, fevereiro 01, 2007  

  • ahahahahaha Celine era assim mesmo...sugestiva e fria ao mesmo tempo...estudou uma época com Paulinho e era super inconstante com ele, um dia falava "como vai a pegação" com um ar malicioso, comentava que ele estava forte, o chamava para dividir o guarda-chuva com ela....
    em outros nem olhava pro pobre garoto, principalmente na academia onde malhavam juntos, todo dia ele via ela todo dia fazendo seu exercício de forma super sexy...e não recebia nem bom dia...

    vai entender...

    Por Anonymous Anônimo, Às sexta-feira, fevereiro 02, 2007  

  • todo dia ele via ela todo dia não dá né...vcs entenderam...

    Por Anonymous Anônimo, Às sexta-feira, fevereiro 02, 2007  

  • cara, se o nome do sujeito é paulinho, tem mais é que se fuder mesmo. e feio. por cinco negões de dois metros e cem quilos, com areia e caco de vidro.

    Por Blogger gigi, Às sexta-feira, fevereiro 02, 2007  

  • Dividir o canudo é coisa séria, não dá pra sair dividindo o canudo com qualquer uma huhauhau

    Por Blogger Richard Aléxis, Às sexta-feira, fevereiro 02, 2007  

  • hahahaha isso me faz lembrar de uma coisa: ooooo pitiiiiiiiii, eu odeio o paulinho!


    hahahahhahahahahahahahhahahahahahahhahahahahahahahahha

    Por Anonymous Anônimo, Às sexta-feira, fevereiro 02, 2007  

  • Acho que dividir o canudo pode dar certo, mas tem que ter dialogo pra ngm se sentir traido, ou preterido.

    Depois vou até ler o texto pra conseguir fazer um comentário maio.

    hehehe, Bricadeiras a parte, fiquei muito feliz de perceber que o Pfaender voltou a ser pop e deixou essa onda do super-massivo pra galera do underground (não estou me referindo a nós, Pedrinho).

    Abraços e parabéns.

    Por Blogger André Pessoa, Às sexta-feira, fevereiro 02, 2007  

  • ó que o supermassivo tá com um conto (já no terceiro capítulo) que qdo terminar o Zé henrique Fonseca vai ficar doido pra filmar, heim? É o meu bushido rumo ao estrelato pop! rsrsrsrsrsr

    Por Anonymous Anônimo, Às sexta-feira, fevereiro 02, 2007  

  • não vejo problema algum em dividir o canudo com alguém que se goste. desde que a pessoa não tenha sapinho nem herpes. acho que não era esse o caso do pablo, era?

    Por Blogger Ana Priscila Freire, Às sexta-feira, fevereiro 02, 2007  

  • nem um pouco. Pablito confessou-me um ano depois, três meses antes do câncer levá-lo, que só pensava naquela cena do jantar entre a Uma Thurman e o Travolta em Pulp Fiction. Onde eles discutem sapinho e germes no canudo.

    Por Anonymous Anônimo, Às sexta-feira, fevereiro 02, 2007  

  • eu tb dividiria o canudo, mas acho q eles nao tem nada a ver um com o outro! esse relacionamento (que nem comecou) tá fadado ao fracasso.. hahaha
    abc!!

    Por Anonymous Anônimo, Às domingo, fevereiro 04, 2007  

  • Mas vc nem conheceu a Celine! Tem mais: eles tinham tanto em comum? Pq vc afirma categoricamente que o relacionamento estava fadado ao fracasso?

    Sacanagem sua... tu é o maior insensível que eu conheço, Markova...

    Por Anonymous Anônimo, Às segunda-feira, fevereiro 05, 2007  

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