sábado, maio 12, 2007

No Mirante - Ternura & Perfeição

Depois de cinco anos indo àquele mirante sozinho todo dia, Bernardo juntou força e ligou para seu último amigo. Escreveu uma carta só para queimá-la em seguida. Ninguém iria ler, ele achou desperdício de sua péssima literatura. Deu voltas e voltas no pequeno apartamento, o tempo custava demais a passar. Queria ter certeza que seu amigo estaria lá na hora marcada. Se ficasse sozinho, podia não resistir o suficiente.

Não adiantou, Bernardo chegou uma hora atrasado, mas seu amigo não estava lá. Sentou, contou os minutos, mas não resistiu, subiu o parapeito e se jogou. Com medo, Bernardo se segurou num galho. Dependurado, olhou para o alto. Contra o sol estava Ternura & Perfeição, seu último amigo, segurando dois cocos.

- Você quer um coco?

- Eu nunca gostei de coco...

- Eu também nunca gostei de VOCÊ.

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