Sobre Verdades e Mentiras
De toda a história natural, conforme estudamos com a titia do primário, o homem representa uma fração indescritivelmente pequena, um átimo frente a idade do Sol, da Terra ou mesmo das pedras em que pisamos. Por mais que sejamos a espécie que mais influiu na vida de nosso planeta, se, de súbito, deixássemos de existir, o curso da história natural permaneceria intacto. Em relativamente pouco tempo, todos os vestígios de nossa existência desapareciriam, e seríamos conhecidos apenas como causa de extinção de algumas centenas de espécie.
Dentro desse átimo, alguns valores puramente humanos, apresentaram uma longevidade maior que outros. De certo, a Verdade, ou melhor, o Apego Inabalável à Verdade, tem vida muito curta, apenas sendo hegemônica no mundo ocidental com a chegada do Cristianismo ao poder. Antes, havia séria discussão se a verdade seria absoluta, objetiva; ou restrita a mente do Homem, ou seja, a verdade seria subjetiva. A aplicação indeterminada dessa última corrente de pensamento faria da verdade algo inexistente, uma mera abstração humana. Se filiando a esse corrente, ou àquela, de certo a Verdade, ou o monopólio da Verdade, é um importante instrumento de poder, num mundo que basicamente crê que existe uma verdade sobre cada coisa. Para entender esse instrumento de poder, precisamos entender a não-Verdade, a Mentira.
Ocorre que, na situação de todos acreditarem, valorizarem, pressuporem verdade em tudo que é dito, ninguém aprende a entender uma mentira. Não se sabe o cheiro de uma, as evidências de uma. Mentir é um delito grave, então todos pressupõe a inocência de todos, pressupõe a verdade em tudo. Essa é a característica do primeiro momento interno de todos nós: a credulidade.
Contudo, a credulidade dói. Crer e frustar-se nessa crença assusta, fere, magoa. Entende-se essa mágoa como consequência da mentira, sem se lembrar que a mágoa é, também, consequência da credulidade. Surge o segundo momento, a incredulidade. Parece diametralmente oposta, mas não o é. A incredulidade aponta diretamente para a mentira anterior, para a mágoa criada pela primeira mentira. Não digo que a nascemos crédulos, existem incredulidades sociais, como a máxima "Homens não prestam, Político mente, todos que tem alguma coisa a ganhar mentem", entre outras.
No Brasil, existe uma incredulidade social bastante curiosa, que é a consequência do ataque que a Globo fez a primeira candidatura Lula. Após a edição do debate e a vergonhosa reportagem sobre o sequestro do Abílio Diniz, essas mentiras tiveram consequências, Collor venceu. E as consequências viraram mágoas, o Collor sequestrou as poupanças, golpeou esquerdas e direitas, e acabou impedido. Muitos ainda não acreditam em pesquisas, em debates e no noticiário político. O fracasso do governo Lula junto a mídia, começa a curar um pouco esses sintomas, mas como o mensalão e congêneres também tiveram boas doses de mentira, outras mágoas tem surgido.
Disse antes que essa segunda fase, a da incredulidade, parece oposta à primeira, a da credulidade. Apenas parece. O verdadeiro incrédulo é aquele que consegue ver uma mentira que não seja reflexo de uma anterior. Essencialmente, o incrédulo é um tipo especial de crédulo. Ele vê semelhanças entre a mentira anterior e o que esteja ocorrendo atualmente e, assim, consideram o momento atual fruto de uma mentira. Eles tem convicção na mentira, sem saber se ela realmente existe. Eles são crédulos da mentira. E, não obstante, se magoam.
Dentro desse átimo, alguns valores puramente humanos, apresentaram uma longevidade maior que outros. De certo, a Verdade, ou melhor, o Apego Inabalável à Verdade, tem vida muito curta, apenas sendo hegemônica no mundo ocidental com a chegada do Cristianismo ao poder. Antes, havia séria discussão se a verdade seria absoluta, objetiva; ou restrita a mente do Homem, ou seja, a verdade seria subjetiva. A aplicação indeterminada dessa última corrente de pensamento faria da verdade algo inexistente, uma mera abstração humana. Se filiando a esse corrente, ou àquela, de certo a Verdade, ou o monopólio da Verdade, é um importante instrumento de poder, num mundo que basicamente crê que existe uma verdade sobre cada coisa. Para entender esse instrumento de poder, precisamos entender a não-Verdade, a Mentira.
Ocorre que, na situação de todos acreditarem, valorizarem, pressuporem verdade em tudo que é dito, ninguém aprende a entender uma mentira. Não se sabe o cheiro de uma, as evidências de uma. Mentir é um delito grave, então todos pressupõe a inocência de todos, pressupõe a verdade em tudo. Essa é a característica do primeiro momento interno de todos nós: a credulidade.
Contudo, a credulidade dói. Crer e frustar-se nessa crença assusta, fere, magoa. Entende-se essa mágoa como consequência da mentira, sem se lembrar que a mágoa é, também, consequência da credulidade. Surge o segundo momento, a incredulidade. Parece diametralmente oposta, mas não o é. A incredulidade aponta diretamente para a mentira anterior, para a mágoa criada pela primeira mentira. Não digo que a nascemos crédulos, existem incredulidades sociais, como a máxima "Homens não prestam, Político mente, todos que tem alguma coisa a ganhar mentem", entre outras.
No Brasil, existe uma incredulidade social bastante curiosa, que é a consequência do ataque que a Globo fez a primeira candidatura Lula. Após a edição do debate e a vergonhosa reportagem sobre o sequestro do Abílio Diniz, essas mentiras tiveram consequências, Collor venceu. E as consequências viraram mágoas, o Collor sequestrou as poupanças, golpeou esquerdas e direitas, e acabou impedido. Muitos ainda não acreditam em pesquisas, em debates e no noticiário político. O fracasso do governo Lula junto a mídia, começa a curar um pouco esses sintomas, mas como o mensalão e congêneres também tiveram boas doses de mentira, outras mágoas tem surgido.
Disse antes que essa segunda fase, a da incredulidade, parece oposta à primeira, a da credulidade. Apenas parece. O verdadeiro incrédulo é aquele que consegue ver uma mentira que não seja reflexo de uma anterior. Essencialmente, o incrédulo é um tipo especial de crédulo. Ele vê semelhanças entre a mentira anterior e o que esteja ocorrendo atualmente e, assim, consideram o momento atual fruto de uma mentira. Eles tem convicção na mentira, sem saber se ela realmente existe. Eles são crédulos da mentira. E, não obstante, se magoam.

2 Comentários:
Não é bem assim...
Por
Anônimo, Às
quinta-feira, outubro 02, 2008
hahhahahahahahhaha. Bem, Sr. da Matta, não obstante ter adorado seu livro "o que faz o brasil Brasil", não acredito em críticas ocultas. E, principalmente, não acredito que tenha sido realmente Roberto da Matta que escreveu esse comentário. Acho provável ser o anônimo-chato-o-Danilo-é-gay que pairou por aqui, ou pior o merdinha-malinha do cascarravias. Caso não seja e tenha intenções reais de comentar o texto, e não criticar por criticar como o referido anônimo, ou criticar para aparecer, como o chatorravias, favor fazê-lo. Lembrar, contudo, que esse texto está longe de ser técnico, é mero convite ao assunto. Aliás, não tenho pretensão alguma de explicar tudo sobre o tema, ainda mais em tão poucas palavras.
P.S.: Se for o cascarravias, saiba que segui sua sugestão e levei nossa discussão ao professor Luiz Gonzaga de Souza Lima. A resposta do Ilustre Professor foi, digamos, hilária. Bem, ele muito educadamente comentou que você estava seriamente equivocado, e que suas críticas são, pelo menos, infundadas.
P.S.2: Se quiser continuar a conversar, favor usar outro nome. A apropriação de nome alheio é ilícito civil reparável, quando não configura ilícito penal!
Por
Caio Almendra, Às
sexta-feira, outubro 03, 2008
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