quarta-feira, outubro 01, 2008

Sobre Verdades e Mentiras

De toda a história natural, conforme estudamos com a titia do primário, o homem representa uma fração indescritivelmente pequena, um átimo frente a idade do Sol, da Terra ou mesmo das pedras em que pisamos. Por mais que sejamos a espécie que mais influiu na vida de nosso planeta, se, de súbito, deixássemos de existir, o curso da história natural permaneceria intacto. Em relativamente pouco tempo, todos os vestígios de nossa existência desapareciriam, e seríamos conhecidos apenas como causa de extinção de algumas centenas de espécie.

Dentro desse átimo, alguns valores puramente humanos, apresentaram uma longevidade maior que outros. De certo, a Verdade, ou melhor, o Apego Inabalável à Verdade, tem vida muito curta, apenas sendo hegemônica no mundo ocidental com a chegada do Cristianismo ao poder. Antes, havia séria discussão se a verdade seria absoluta, objetiva; ou restrita a mente do Homem, ou seja, a verdade seria subjetiva. A aplicação indeterminada dessa última corrente de pensamento faria da verdade algo inexistente, uma mera abstração humana. Se filiando a esse corrente, ou àquela, de certo a Verdade, ou o monopólio da Verdade, é um importante instrumento de poder, num mundo que basicamente crê que existe uma verdade sobre cada coisa. Para entender esse instrumento de poder, precisamos entender a não-Verdade, a Mentira.

Ocorre que, na situação de todos acreditarem, valorizarem, pressuporem verdade em tudo que é dito, ninguém aprende a entender uma mentira. Não se sabe o cheiro de uma, as evidências de uma. Mentir é um delito grave, então todos pressupõe a inocência de todos, pressupõe a verdade em tudo. Essa é a característica do primeiro momento interno de todos nós: a credulidade.

Contudo, a credulidade dói. Crer e frustar-se nessa crença assusta, fere, magoa. Entende-se essa mágoa como consequência da mentira, sem se lembrar que a mágoa é, também, consequência da credulidade. Surge o segundo momento, a incredulidade. Parece diametralmente oposta, mas não o é. A incredulidade aponta diretamente para a mentira anterior, para a mágoa criada pela primeira mentira. Não digo que a nascemos crédulos, existem incredulidades sociais, como a máxima "Homens não prestam, Político mente, todos que tem alguma coisa a ganhar mentem", entre outras.

No Brasil, existe uma incredulidade social bastante curiosa, que é a consequência do ataque que a Globo fez a primeira candidatura Lula. Após a edição do debate e a vergonhosa reportagem sobre o sequestro do Abílio Diniz, essas mentiras tiveram consequências, Collor venceu. E as consequências viraram mágoas, o Collor sequestrou as poupanças, golpeou esquerdas e direitas, e acabou impedido. Muitos ainda não acreditam em pesquisas, em debates e no noticiário político. O fracasso do governo Lula junto a mídia, começa a curar um pouco esses sintomas, mas como o mensalão e congêneres também tiveram boas doses de mentira, outras mágoas tem surgido.

Disse antes que essa segunda fase, a da incredulidade, parece oposta à primeira, a da credulidade. Apenas parece. O verdadeiro incrédulo é aquele que consegue ver uma mentira que não seja reflexo de uma anterior. Essencialmente, o incrédulo é um tipo especial de crédulo. Ele vê semelhanças entre a mentira anterior e o que esteja ocorrendo atualmente e, assim, consideram o momento atual fruto de uma mentira. Eles tem convicção na mentira, sem saber se ela realmente existe. Eles são crédulos da mentira. E, não obstante, se magoam.

2 Comentários:

  • Não é bem assim...

    Por Anonymous Anônimo, Às quinta-feira, outubro 02, 2008  

  • hahhahahahahahhaha. Bem, Sr. da Matta, não obstante ter adorado seu livro "o que faz o brasil Brasil", não acredito em críticas ocultas. E, principalmente, não acredito que tenha sido realmente Roberto da Matta que escreveu esse comentário. Acho provável ser o anônimo-chato-o-Danilo-é-gay que pairou por aqui, ou pior o merdinha-malinha do cascarravias. Caso não seja e tenha intenções reais de comentar o texto, e não criticar por criticar como o referido anônimo, ou criticar para aparecer, como o chatorravias, favor fazê-lo. Lembrar, contudo, que esse texto está longe de ser técnico, é mero convite ao assunto. Aliás, não tenho pretensão alguma de explicar tudo sobre o tema, ainda mais em tão poucas palavras.


    P.S.: Se for o cascarravias, saiba que segui sua sugestão e levei nossa discussão ao professor Luiz Gonzaga de Souza Lima. A resposta do Ilustre Professor foi, digamos, hilária. Bem, ele muito educadamente comentou que você estava seriamente equivocado, e que suas críticas são, pelo menos, infundadas.

    P.S.2: Se quiser continuar a conversar, favor usar outro nome. A apropriação de nome alheio é ilícito civil reparável, quando não configura ilícito penal!

    Por Blogger Caio Almendra, Às sexta-feira, outubro 03, 2008  

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