sábado, outubro 27, 2007

O Ateu, o Bêbado e o Médico

"O Ateu

Mas, diga lá seu médico,
Qual a diagnóse?
É Complexo de Édipo
Ou hepatite na trombose?

Mas, doutor, olhou os exames?
É o tipo 1 da diabete?
É alergia à aspartame?
Tô na secura de um chiclete...

É que tô nervoso, seu doutor!
Que a morte me mete medo,
Pelo amor de deus nosso senhor,
E do diabo em segredo.

Diga logo, seu doutor!
Será que eu vou morrer?
Eu não sei se estou com dor
Mas, tô medroso de doer.

Diga logo quantos meses,
Não queira me enganar,
Nessas horas, nós burgueses,
Temos pressas de rezar.


O Bêbado


Mas, diga logo seu doutor,
Qual é a diagnose?
Diz que é gangrena no mijador
Só não diga que é cirrose

Pois se eu paro de beber,
Por doença ou por promessa,
Posso até sobreviver,
Mas, não saio vivo dessa.

Pra mim, beber não é vício,
É mais que um sacerdócio,
Mais que um ofício,
É um porquê ao meu ócio

Diga lá, seu doutor
Não queira me enrolar,
Eu nem tô com dor,
Mas, tô atrasado pro bar."


Em homenagem a Luiz Sampaio Almendra Neto, bêbado, ateu e temente a morte. Ou melhor, se-borrante-todo-a-morte.

4 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]



<< Página inicial