domingo, julho 01, 2007

Revelare, a Queda do Véu


A minha Grande Revelação, que por osmose transgride todos os meus sentidos, que me ascendeu à condição de deus-espírito, que desintegrou todas as dúvidas e queixas, que flambou em óleo morno os resquícios de esperanças da sabedoria de meus inimigos, que, na minha passagem pelo vale da sombra da morte, fulminou a Caetana com um feixe de perplexidade e assombramento, que nas minhas incursões ao Hades, mortificou todos os incúbos no esplendor de meu sexo e que, em Morpheus, inundou as almas das sucúbos de pudismo indevassável e temor insólito, que na ausência de palavra que melhor defina a vós, reles em penumbra, chama-se luz, que enche todas as texturas de brilho, nitidez e clareza, sem jamais projetar uma sombra, que se expande na velocidade de uma supernova à procura de um Big Bang implosivo, amórfico e quântico, para defenestrar as últimas certezas sobre o tecido constitutivo do universo e vos compelir ao Tártaro do espaço-tempo fractal, onde cada curva envelhece cem quilômetros e cada metro rejuvenesce milênios, que apagará todo fogo físico, mas que fará arder em chamas vossos peitos no lento processo de carbonização, que matará todas as aves numa súbita combustão espontânea e demais animais de sufocamento, após precipitar pólvora por séculos sem fim, essa Grande Revelação nunca vos chegará, posto que vós sois incapazes, impotentes, diminutos, pífios e risíveis, mero subnitrato de pó de excremento suíno.

Eu sou iluminado.

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