Porco dos Sonhos
"Would you like to swing on a star
Carry moonbeams home in a jar
And be better off than you are
Or would you rather be a pig"
"A pig is an animal with dirt on his face
his shoes are a terrible disgrace
He has no manners when he eats his food
He's fat and lazy and extremely rude
But if you don't care a feather or a fig
you may grow up to be a pig"
Na minha casa, habita um porco. Ele foge do clichê porco-fofo, ou do mais-clichê-ainda porco-com-asas. Ele é feio, muito feio. Já está impregnado com tanta lama e faz tanto tempo, que não me surpreenderia se ele fosse feito inteiramente de barro. Seus olhos são profundamente blasés e ele mal reage a estímulos visuais. Sua presença é terrivelmente fétida, com diversos odores indissociavelmente desagradáveis. Sua ausência é uma benção. Acho melhor poupar-lhes de descrições sobre seus hálito ou excrementos.
Foi-me dado de presente, quando ainda era molecote de calças-curtas, logo após o início do meu ritual de maturidade. É tradição entre os Perfeição levar os varões recém-púberes para um local ermo e enterrá-lo vivo, numa cova de 3 por 3 por 3 metros, junto com um porco recém-nascido e que jamais fora alimentado. Lá, o menino passará cinco dias, sem nenhuma alimentação externa, sem iluminação, bebendo água da chuva enlaemada(se chover). O pretendente a adulto não poderá comer o porco, ou mesmo matá-lo. Fui instruído a não passar mais de vinte horas acordado ao todo, durante esses cinco dias, se não padeceria de fome e angústia.
Os mais estúpidos se questionam qual o significado do porco. Ele não têm simbolismo algum. O porco faminto aprende a se alimentar de nossos sonhos e isso nos ensina a viver sem eles. Uma por uma das mais belas imagens sonhadas durante longas cem horas naquele buraco são consumidas e tornadas num grama a mais de gordura, sebo e podridão daquele porco. Sua voracidade interminável não permite que sobre uma mísera possibilidade de desejo, felicidade e esperança em nossos pensamentos. Tudo vira porco.
Sobrevivi e trouxe comigo o porco. Os intelectuais, psicanalistas e idiotas do mesmo gênero, diriam que é um instinto de proteção da mente contra o trauma de infância. Eu sei que o porco está comigo para me resguardar de qualquer chance de um sonho escapulir-me e sobreviver por tempo demais. Ele está aqui para me proteger de mim mesmo.
Carry moonbeams home in a jar
And be better off than you are
Or would you rather be a pig"
"A pig is an animal with dirt on his face
his shoes are a terrible disgrace
He has no manners when he eats his food
He's fat and lazy and extremely rude
But if you don't care a feather or a fig
you may grow up to be a pig"
Na minha casa, habita um porco. Ele foge do clichê porco-fofo, ou do mais-clichê-ainda porco-com-asas. Ele é feio, muito feio. Já está impregnado com tanta lama e faz tanto tempo, que não me surpreenderia se ele fosse feito inteiramente de barro. Seus olhos são profundamente blasés e ele mal reage a estímulos visuais. Sua presença é terrivelmente fétida, com diversos odores indissociavelmente desagradáveis. Sua ausência é uma benção. Acho melhor poupar-lhes de descrições sobre seus hálito ou excrementos.
Foi-me dado de presente, quando ainda era molecote de calças-curtas, logo após o início do meu ritual de maturidade. É tradição entre os Perfeição levar os varões recém-púberes para um local ermo e enterrá-lo vivo, numa cova de 3 por 3 por 3 metros, junto com um porco recém-nascido e que jamais fora alimentado. Lá, o menino passará cinco dias, sem nenhuma alimentação externa, sem iluminação, bebendo água da chuva enlaemada(se chover). O pretendente a adulto não poderá comer o porco, ou mesmo matá-lo. Fui instruído a não passar mais de vinte horas acordado ao todo, durante esses cinco dias, se não padeceria de fome e angústia.
Os mais estúpidos se questionam qual o significado do porco. Ele não têm simbolismo algum. O porco faminto aprende a se alimentar de nossos sonhos e isso nos ensina a viver sem eles. Uma por uma das mais belas imagens sonhadas durante longas cem horas naquele buraco são consumidas e tornadas num grama a mais de gordura, sebo e podridão daquele porco. Sua voracidade interminável não permite que sobre uma mísera possibilidade de desejo, felicidade e esperança em nossos pensamentos. Tudo vira porco.
Sobrevivi e trouxe comigo o porco. Os intelectuais, psicanalistas e idiotas do mesmo gênero, diriam que é um instinto de proteção da mente contra o trauma de infância. Eu sei que o porco está comigo para me resguardar de qualquer chance de um sonho escapulir-me e sobreviver por tempo demais. Ele está aqui para me proteger de mim mesmo.

2 Comentários:
e no porco habitam os desejos ~
Por
visco, Às
quinta-feira, agosto 16, 2007
gostei muito, Ternura. mas é tão triste...
ou, gostei muito porque é tão triste.
ou, gostei muito e é tão triste.
tudo junto.
Por
Anônimo, Às
quinta-feira, agosto 16, 2007
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